“Quem não é visto não é votado”

De acordo com o Calendário Eleitoral deste ano, publicado recentemente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir de 3 de julho fica proibido o comparecimento de qualquer candidato em inaugurações de obras públicas.

Anteriormente, a proibição atingia somente aos cargos do Poder Executivo – presidente da República, governador e vices. Talvez daí provenha a explicação para o fato de as solenidades para esse fim, no Acre, estarem literalmente sendo disputada no tapa pelos candidatos a candidatos.

Um bom exemplo foi a inauguração da Central de Abastecimento de Rio Branco, ocorrida ontem. Os menos desavisados chegaram a confundir o evento com as sessões itinerantes da Câmara de Rio Branco e da Assembléia Legislativa (Aleac) tão grande era o número de vereadores e deputados presentes. Todos, é claro, candidatos a candidatos nessas eleições.

E para quem pensa que eu estou me referindo apenas aos candidatos da Frente Popular, se enganou. Alguns candidatos da oposição também estiveram por lá, disputando seu lugar ao sol.

E junto com os candidatos vêm os “bajuladores” de plantão. Esses se multiplicam de acordo com a proximidade do pleito. Dependendo do cargo disputado podem chegar a centenas. De forma que o candidato nunca esteja sozinho e tenha sempre alguém a postos para atender aos seus caprichos.

Não se deve esquecer, que apesar da participação de candidatos a qualquer cargo, está liberada até o dia 3 de julho, isso não significa dizer que eles estão liberados para fazer campanha antecipada.

Por isso é importante que o Ministério Público Eleitoral fique de olhos bem arregalados com essas solenidades de obras públicas, haja vista que com base em experiências anteriores, elas costumam ocorrer com bastante freqüência – um pouquinho até demais – em ano de eleição.
Até porque “quem não é visto não é votado”.

* Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

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