A hora dos oportunistas

O sindicalismo é uma coisa muito séria. Não pode servir de instrumento para interesses escusos pessoais que não sejam a melhoria das categorias de trabalhadores. Para se ter uma idéia da força do movimento sindical o Brasil já é governado por um ex-sindicalista há oito anos.

Muito do sucesso que o presidente Lula (PT) conseguiu na sua gestão política se deve a experiência que adquiriu nos movimentos sociais. Mas quem submerge do sindicalismo para a política tem que saber a hora e o propósito ao fazê-lo. Triste é ver pessoas más intencionadas querendo usar os movimentos sindicais para propósitos políticos pessoais. 

O Acre terá várias eleições para a presidência de diferentes e importantes sindicatos nos próximos meses. Teremos também eleições gerais em outubro. Claramente, assistimos incompetentes como profissionais e frustrados politicamente querendo uma “boquinha” a frente de algum sindicato para armar os próximos passos em direção ao poder. É um caminho abominável que traz sérias conseqüentes para a evolução da sociedade.

Para alguém liderar uma categoria tem que ter como prerrogativa básica a capacidade de dialogar. Tem que ter a credibilidade tanto do movimento social quanto do Governo. Há casos de pessoas que nem mesmo pagam a sua simples contribuição sindical, mas se arvoram em salvadores da pátria para conduzirem os filiados do seu sindicato. Só se for mesmo para a beira do abismo.

O discurso fácil e oportunista de alguns personagens esconde razões inconfessáveis da sede de poder. Falsos sindicalistas como esses são como os túmulos caídos, belos por fora, mas que escondem toda podridão nos seus interiores. O peleguismo é a subser-viência ao poder constituído, seja público ou privado. Mas o radicalismo é o caminho sem volta que pode gerar situações desesperadoras para milhares de pais de famílias.

Portanto, é preciso encontrar o caminho do meio como aconselhava o Buda. Trabalhar a favor do interesse da sua categoria, mas conhecendo previamente os limites que o outro lado da negociação dispõe. Caso detalhes como esses não sejam observados é criado o impasse. Nesse caso, todo mundo perde.

Para finalizar, temos assistido o racha dentro dos sindicatos que complica ainda mais a eficiência de propósitos dos movimentos sociais. Está na hora de haver uma reavaliação séria dentro de todos os sindicatos sérios para que um instrumento tão poderoso como esse não se torne apenas uma ilusão. A unidade dos trabalhadores é a chave para uma evolução saudável da nossa sociedade.        

* Nelson Liano é jornalista
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