A política é como nuvens

O ex-governador mineiro, Magalhães Pinto, costumava dizer: “a política é como nuvem, você olha e está de um jeito. Olha de novo e já mudou”. A frase parece se encaixar perfeitamente ao momento político acreano. Os três principais grupos políticos do Estado lançaram seus candidatos majoritários.

Chamaram a imprensa e anun-ciaram a escalação dos seus titulares. Mas em alguns casos parece que foi muito barulho por nada, como dizia William Shakespeare.

A possibilidade da candidatura do vereador Rodrigo Pinto (PMDB) ser retirada mexeria profundamente no tabuleiro eleitoral do Estado. Se isso realmente acontecer começarão novamente as especulações sobre o destino do PMDB. O deputado federal, Sérgio Petecão (PMN), tem se esforçado para levar os peemedebistas a apoiarem a sua candidatura ao Senado. Por outro lado, o pré-candidato ao governo Tião Bocalom (PSDB) não deve querer que a eleição se torne plebiscitária com apenas um turno. No caso da saída de Rodrigo Pinto os eleitores teriam apenas dois nomes para escolher e a eleição seria decidida no primeiro turno.

Mas existe outro aspecto, a manutenção da candidatura majoritária do PMDB poderá enfraquecer as suas chapas proporcionais. O partido correrá o risco de não conseguir os votos suficientes para ter um coeficiente eleitoral para garantir a eleição de um deputado federal. Como o PMDB tem atualmente quatro prefeituras que dependem do apoio de uma representatividade federal a situação poderá se complicar ainda mais.

O tabuleiro político de um Estado depende da manutenção dos nichos de poder e as escolhas terão que ser feitas nos próximos 50 dias, antes das convenções partidárias. Portanto, como as nuvens do céu as mudanças deverão ocorrer. As rea-ções em cadeia deverão causar transformações na outra coligação partidária de oposição. Algumas li-deranças do DEM, por exemplo, não querem mais a aliança com o PMDB. 

Mas vale destacar que a militância peemedebista tem mostrado estar coesa em torno da candidatura de Rodrigo Pinto, e com razão. Afinal, Rodrigo representa a entrada em cena da política acreana de uma nova liderança. Também poderá significar o fortalecimento do partido no quadro político do Acre.

 Caso haja um retrocesso de posicionamento do PMDB, certamente o PSDB se tornaria a segunda força política do Estado. A unidade e a identidade do PMDB ficariam seriamente comprometidas. Portanto, aguardem novos capítulos na disputa eleitoral acreana que parecia cristalizada. É só observar as mudanças das nuvens do verão Amazônico que já chegou com a friagem.

 

 

 

 

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