O sol nascente no Arena

“Aqui de cima está tudo quente, mas não é o jogo e sim o sol de 40º na nossa cara”, cita o narrador Deise Leite, durante a transmissão de uma das centenas de transmissões pela rádio Difusora Acreana. No seu lado está o comentarista Raimundo Fernandes e, segundo a minha própria lente, afinal tenho a foto para comprovar, estão desnudos da cintura para cima e com uma prancheta e o outro com papéis no rosto, afinal só assim é possível enxergar algo com o sol na cara dos respeitáveis profissionais da comunicação.

Vamos primeiro explicar um fato: o estádio Arena da Floresta tinha capacidade para disputar uma das vagas para a Copa do Mundo, pelo que se poderia melhorar e pela base que já tinha. Após tantos anos ouvindo dirigentes e jogadores de fora criticando o nosso saudoso – pois é assim que chamo quem já morreu – estádio José de Melo, que por muitos anos foi nosso único local de escape em competições nacionais, agora podemos ter o outro lado quando chegam na nossa Capital e elogiam nosso estádio, o Arena.

Agora vamos continuar o *&%¨*#@. Chegou cá um engenheiro vindo dos “grandes centros” e disse que o estádio tinha que funcionar “assim e assado”. Teve até cronista, o esportivo mesmo, que até tentou dialogar sobre alguns fatos devido a grande expe-riência passando pelos vários estádios brasileiros. Em vão, afinal o “homi” já ajudara a construir um grande estádio em um grande centro.

O problema, leitor, é que o Norte e o Sul do sujeito tinha ficado no Paraná – lá muda mesmo o Norte do Sul? – porque a área vip, bem como as cabines de rádios e televisão ficam com um sol de quase 40º – citado no início do texto – bem na cara. Claro que sou apenas um ignorante, afinal não fiz engenharia na faculdade. Fiz Jornalismo, por isso ele fez a área mais nobre de cara para o sol e eu estou criticando.

A “danada” da TV Aldeia, um dos vários órgãos de comunicação do Governo, é tão cagada (vejam que esse nome não é palavrão) que durante a passagem da Globo/MG, para o jogo da Copa do Brasil, percebendo (ou quem sabe nem tenham percebido) a eficiência do engenheiro, colocou vidro fumê na sua cabine, sendo herdada pela tevê dos índios e acreanos. Como duvido que a filial de rádio da Globo/MG venha a repetir o gesto para a Difusora, é esperar que algum dia alguém se sensibilize com a equipe, afinal exposição demasiada de sol pode dar câncer de pele.

Já fiquei na cabine ao lado da tribuna das autoridades e certa vez ouvi uma delas citar a seguinte frase: “quem foi o burro que disse que a área nobre fica com o sol na cara?”. Quando percebeu que os donos da casa estavam perto, calou-se.

Muito em breve o estádio Arena do Juruá terá suas cabines de televisão e rádio também concluída. Meu medo é se o engenheiro sabe “donde nasce o sol e onde é o seu poente”, como já dizia meu saudoso pai. Vai que lá o engenheiro também acha que o sol na cara do cinegrafista e jornalista é legal, aí lascou de vez.

PS.: Se forem fazer para a rádio, não esqueçam dos jornais on-line, afinal minha santíssima mãe não fez nenhum filho para camarão ao sol.

Ramiro Marcelo é jornalista e cronista esportivo que pega também sol na cara.
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