Obrigatoriedade do voto

Sou a favor de que o voto é importante para a escolha de seus representantes, no caso do povo, mas quando a situação desta escolha é imposta, obrigatória, sumariamente punida se for descumprida, fico a pensar o quanto somos realmente um país democrático ou não.

Obrigatoriedade de servir o Exército, enquanto o certo é que as pessoas deveriam se apresentar por livre escolha para defender o Brasil.

Mas não vamos mudar o foco que é a obrigatoriedade do voto. Antes de começar este artigo resolvi pesquisar sobre o voto e a democracia.

 Fiquei espantado com o número de pessoas que criticam o sistema eleitoral dos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório, exercendo assim o verdadeiro direito máximo da democracia (regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos, no caso o povo), mas na realidade não é assim.

No meu limitado conhecimento, garantir que o voto seja obrigatório leva para as urnas um número maior de pessoas menos esclarecidas, que não acompanham de verdade, através das rádios, televisões e jornais, o que seus representantes estão ou não fazendo em prol de suas comunidades.

Os “currais eleitorais” se tornam, infelizmente, uma realidade cada vez mais cruel. Pessoas passando necessidade e trocando quatro anos de um mandato sério, por valores miseráveis (R$ 50, R$ 100…), como são as vidas de alguns destes eleitores, ou apenas uma caixa d’água, um favor que deságua nos dias seguintes, ficando estes novamente na beira da miséria nos anos seguintes. Este candidato, que comprou o voto, não vê obrigação de fazer nada em prol de seus cidadãos, afinal pagou adiantado.

Sou sim a favor de que o voto não deveria ser obrigatório. Sou sim a favor de uma educação melhor, para que cada cidadão que vá na urna saiba exatamente seus direitos, seus deveres e porque estão votando no candidato “A” ou “B”.

Nas últimas eleições vi com tristeza algumas pessoas – na maioria delas menos esclarecidas, outras não – , afirmando que iriam para a urna fazer um voto de protesto. Ou seja, iriam votar em um candidato sem qualquer preparo para uma vida política, fiscalizadora, administradora, achando que desta forma estão protestando. Protestando contra quem? Contra nós mesmos? O que podemos esperar deste candidato, além de exercer nossa revolta? Eu respondo: nada!

Por isso sou a favor de que o voto não seja obrigatório. E para quem pensa em fazer de seu voto um “sinal” de protesto digo apenas que urna não é pinico.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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