“Paixão nacional” nas mãos de Dunga

As vezes me pego parando em um local esmo da cidade, assistindo a “peladas” de rua, tão grande é a minha paixão pelo futebol. Isso ocorre com outros milhões de brasileiros, todos apaixonados pelo futebol. Motivo pelo qual mencionam-se os mais de 250 milhões de técnicos espalhados pelo Brasil, cada um com uma seleção na ponta da língua, mas poucos, ou nenhum concordaria de forma unânime com a convocação do “teimoso” Dunga.

Somos, sem sombra de dúvida, o país com maior número de jogadores revelados no mundo. Talvez o futebol esteja inserido no “DNA brasileiro”, fazendo com que antes de dar os primeiros passos a maioria dos pais já insira a bola na vida de seus filhos. Então a maior riqueza do nosso país não se trata do pré-sal, mas as pedaladas de nossos craques, cada vez mais cedo “exportados” para a Europa ou Ásia.

Quando o “teimoso” Dunga deixa de lado valores individuais na qualidade de Neymar, Ganso ou o (recém-encontrado) Ronaldinho Gaúcho, afirma que o futebol arte não vale nada. O nosso único jogador de criação – o que discordo, pois acredito muito mais sendo ele um meia que conduz muito bem a bola, apesar de sua inteligência – trata-se de Kaká. Mas que segurança temos nele? O homem vem de contusão, não conseguiu produzir no Real Madrid o futebol que o consagrou e o “teimoso” ainda concorda que não tem substituto para ele. “Na Copa América não tivemos Kaká”, afirmou o “teimoso”, no entanto só espero que ele não esteja querendo comparar esta competição continental, onde somente três equipes aparecem nas 15 primeiras colocações da Fifa.

A teimosia do “teimoso” é comparável com a de outro “teimoso” que insistiu em não levar Romário para a Copa do Mundo. O ano era 1994 e o irreverente atacante praticamente levou a Seleção Brasileira  a conquista do título. Em 2002 o “teimoso” da ocasião foi contra o pedido de toda uma nação e não levou o principal nome mundial na posição. Com a conquista do Mundial, o “teimoso” da época foi ovacionado e reverenciado como um gênio. Passou oito anos e eis que surge outro “teimoso” que pode conquistar o título e derrubar de vez a mística de que não é preciso do futebol arte brasileiro para levantar o “caneco”.

Vamos concordar que até pouco tempo o que se via eram mercenários na seleção, negociando a peso de ouro suas participações para representá-la. Agora, diferente disso, jogadores fazem até lobby por suas escalações na Seleção Brasileira. Alguns deixaram seus clubes europeus para tentarem ressurgir no futebol brasileiro, entre eles Fred, Vagner Love, Robinho, Cicinho, Adriano, entre outros. Voltou a paixão por defender o “manto canarinho” e isso devemos dar o crédito ao “teimoso”.

Agora vamos analisar: assistir a Seleção Brasileira na Copa sem três dos principais nomes da realidade – futebol é momento, como dizia o maior técnico brasileiro, Telê Santana – é tomar chá de boldo no café da manhã. Não afirmo que os “garotos” iriam para serem titulares, mas sim dar o tempero certo nos momentos em que fossem cruciais, quando a bola levantada – uma arma deste ataque nosso – não funcionasse, para abrir as defesas. Vamos ter que nos contentar com o que temos e rumo ao Hexa (se Deus quiser).

Ramiro Marcelo é jornalista.
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