Precisamos falar de sexo!

Nesta semana a ligação de um ouvinte me incomodou.

Durante a entrevista de Rose Scalabrin, da Coordenadoria da Mulher da Prefeitura Municipal, ela falou sobre o grande número de adolescentes que engravidam sem as mínimas condições emocionais, familiares e financeiras para ter uma criança.

Falamos sobre a política de planejamento familiar que é totalmente falha na medida em que não é uma política de estado e falamos também sobre a grande hipocrisia que é falar para as meninas não transarem antes da hora.

Se formos voltar no tempo constataremos que as mulheres, em sua grande maioria, iniciavam sua vida sexual muito cedo. Minha avó começou aos 13 anos, minha bisavó aos 12 e minha mãe era considerada uma “titia” porque aos 17 anos ainda não tinha casado.

O fato é que antigamente as meninas se casavam cedo, quando prometidas entre famílias, ou fugiam com seus amores impossíveis sempre muito jovens.

Água morro à baixo e fogo morro à cima, ninguém segura.

O que acontece hoje é que as meninas têm muito mais liberdade sexual do que minha bisavó ou minha avó, que escolhiam (ou escolhiam para elas!) um homem e esse tal homem era para sempre. Até que a morte os separasse. Elas não podiam experimentar antes de casar. Se fizessem sexo antes do casamento, eram obrigadas a irem para a zona de baixo meretrício banidas pela sociedade e pela família.
Os tempos são outros.

A liberdade sexual avançou. Só que não avançaram as políticas públicas e as famílias no sentido de orientar para não engravidar sem as condições ideais para se criar um filho. Não orientam as meninas e nem os meninos.

Se dentro de casa falar sobre sexo está complicado, imagine como uma adolescente se sente ao chegar num posto de saúde para pegar uma cartela de anticoncepcional?

A ligação que recebi falava justamente sobre isso! O constrangimento que vários profissionais da saúde causam para as pessoas que se dirigem ao posto de saúde em busca das alternativas contraceptivas.

Se é uma garota, ficam comentando que ela é muito nova para tomar anticoncepcional, que ela deveria estar brincando de bonecas. Fazem cara de desaprovação. Se é um garoto que vai ao posto, ficam dizendo que ele está um verdadeiro garanhão, que ele deve tomar cuidado porque fazer muito sexo pode deixá-lo amarelo(!)

Gente! Ninguém pode impedir a se-xualidade de ninguém. Chega uma hora que os hormônios falam mais alto, justamente nessa faixa dos 12 aos 15 anos! O que podemos e devemos fazer enquanto profissionais, pais e mães é orientar para evitar a gravidez e a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

Vamos parar de falso moralismo e praticar no nosso dia-a-dia a orientação que nós não tivemos para iniciar nossa vida sexual. Precisamos falar de sexo com naturalidade e sem tratar o tema como se fosse um tabu.

Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
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