Incontinência urinária feminina

Incontinência urinária (IU) é definida pela Sociedade Internacional de Continência (ICS) como a perda involuntária de urina, provocando por vezes certo constragimento à pessoa. Ocorre quando, a pressão dentro da bexiga excede aquela que se verifica dentro da uretra, ou seja há um aumento considerável da pressão para urinar dentro da bexiga, isso ocorre durante a fase de enchimento do ciclo de micção. Na maioria dos casos, a incontinência urinária pode ser tratada e até curada.

Nas mulheres com incontinência total, a causa é, em geral, uma lesão no colo da bexiga e na uretra durante o parto. Nos homens, a causa mais freqüente é uma lesão no colo da bexiga e na uretra devido à cirurgia, em particular pela extração da próstata afetada com cancro.

A incontinência urinária pode ocorrer em qualquer idade, mas as suas causas tendem a ser diferentes entre as faixas etárias, sendo que as mulheres apresentam o dobro de probabilidade que os homens de serem afetadas.

CAUSAS – Segundo a maioria dos autores consultados a incontinência urinária não se constitui em uma doença em si, mas em um sintoma que pode ter diversas causas, quais sejam: o enfraquecimento da musculatura e dos tecidos pélvicos que fornecem sustentação à bexiga e a uretra; a mobilidade exagerada do colo vesical; o fechamento deficiente do esfíncter uretral; e a contração prematura do músculo da bexiga.

Alguns autores acrescentam que outra causa está na fase dos 45 aos 50 anos, idade em que, geralmente, as mulheres estão entrando na menopausa, onde ocorre uma deficiência de estrógeno e conseqüentemente, uma diminuição da pressão uretral, acarretando a perda de urina.

TIPOS – Existem vários tipos de IU, sendo que os três mais comuns são: a) Bexiga hiperativa, causada por contrações inadequadas do músculo detrusor durante a fase de arma-zenamento do ciclo miccional (processo inical anterior ao ato de urinar); 2) Incontinência de esforço, relacionada com a disfunção do esfíncter uretral, ou seja um afrouxamento muscular do esfíncter; 3) Incontinência mista, que resulta da combinação das situações ante-riomente citadas.

TRATAMENTO – O tratamento da incontinência urinária depende da causa de base. Atualmente há alguns recursos disponíveis, os quais incluem três tipos de procedimentos:

a) Clínicos (medicamentos) – para Alves (2010), três drogas são clinicamente utilizadas: fenilpro-panolamina, efedrina e imipramina. Porém, deve-se atentar para os efeitos colaterais desses agentes os quais incluem: aumento da pressão arterial, palpitações e insônia. Devem ser evitados em pacientes hiperten-sos, cardiopatas ou com hiper-tireoidismo, lembrando que os resultados são pouco satisfatórios para a incontinência severa.

b) Cirúrgicos – no entender de Alves (2010) os melhores resultados no tratamento da incontinência urinária feminina são alcançados através desses procedimentos. Algumas técnicas podem ser realizadas com anestesia local, exigindo apenas 12 horas internação; e

c) Fisioterápicos – quanto a esse tipo de tratamento, Botelho (2010) indica a realização de alguns exercí-cios que poderão reforçar os músculos pélvicos os quais são de grande importância para a saúde física e sexual da mulher:

1) Exercício de Contração Pura: deitada, coluna ereta, joelhos dobrados. Faça movimentos pélvicos, para frente e para trás, contraindo o períneo quando a pelve deslocar para frente.

2) Exercício do travesseiro: deitada, coluna ereta, joelhos dobrados. Posicione um travesseiro ou almofada entre os joelhos, aperte-o e contraia o períneo simultaneamente, contando quatro segundos de contração para o dobro do tempo de repouso.

3) Exercício do bumbum: sentada, pés apoiados ao chão, coluna ereta. Contraia o períneo e o bumbum (glúteos), segure por quatro segundos e relaxe.

4) Exercício do Elevador: sentada, pés apoiados ao chão, coluna ereta. Contraia o períneo, em seguida contraia o bumbum (glúteos) e depois o abdome, segure por quatro segundos e relaxe.

5) Exercício do bambolê: de pé, joelhos levemente em flexão, tronco ereto com abdome contraído. Movimente a pelve rodando para todos os lados. Quando movimentar a pelve para frente, contraia o períneo e o bumbum.

IMPORTANTE – A seguir algumas dicas indicadas por Verella (2010):

• Procure um médico para diagnóstico e identificação da causa e do tipo de perda urinária que você apresenta;

• Não pense que incontinência urinária é uma doença inevitável na vida das mulheres depois dos 50, 60 anos. Se o distúrbio for tratado como deve, a qualidade de vida melhorará muito;

• Considere os fatores que levam à incontinência urinária do idoso (uso de diuréticos, ingestão hídrica, situa-ções de demência e delírio, problemas de locomoção) e tente contorná-los. Às vezes, a perda de urina nessa faixa de idade é mais um problema social do que físico;

• Evitar a obesidade e o seden-tarismo, controlar o ganho de peso durante a gestação, praticar exercícios fisioterápicos para fortalecer o assoalho pélvico, são medidas que podem ser úteis na prevenção da incontinência urinária.

* Terezinha de Freitas Ferreira – é Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do CCSD – Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

 

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