Síndrome do marido aposentado

A Síndrome do Marido Aposentado (SMA) ou “Retired Husband Syndrome” é um distúrbio que causa estresse nas mulheres e ocorre quando elas passam a conviver mais tempo do que o usual com o marido, ou seja, é uma doença gerada a partir de uma série de condições sociais.

A síndrome foi descrita pelo médico Nobuo Kurokawa, que nos últimos dez anos vem tratando um fluxo crescente de mulheres japonesas de certa idade com os mesmos sintomas, incluindo depressão, problemas de pele, úlceras, asma e pressão alta.

Na atualidade a síndrome se constitui em objeto de debates na TV e está sendo discutida amplamente nos jornais. No Brasil, tem-se como exemplo, matéria veiculada acerca do assunto, em janeiro deste ano, através do globo repórter.

Kurokawa acredita que 60% das mulheres mais velhas são afetadas pela Síndrome e diz que se a doença for ignorada, os sintomas tendem a piorar. Um dos indicadores dessa síndrome é o índice de divórcios pedidos pelas esposas.

No Japão, os homens encontram dificuldade para relacionarem-se de maneira saudável com suas esposas, e usualmente não demonstram afeto nem reconhecimento a elas, chegando até a tratá-las como empregadas incumbidas de cuidar da casa, da comida e dos filhos.

ASSOCIAÇÃO DOS MARIDOS CARINHOSOS
Em 2004, mais de um casamento em cada três terminaram, e a perspectiva não é nada boa, com a aproximação da aposentadoria dos baby-boomers e com a nova lei que permite que as ex-mulheres reclamem metade da pensão dos ex-maridos. Atualmente são 41.958 pedidos, enquanto há 15 anos havia o registro de 20 mil casos.

Foi assim que surgiu o grupo, chamado de Associação de Maridos Carinhosos do Japão. Eles identificaram os hábitos profissionais dos japoneses como o inimigo número um dos casamentos.

Os maridos costumam ficar horas e horas nos escritórios, às vezes muito além dos seus horários, piorando a situação em casa já agravada pela dificuldade na comunicação.

Preocupados com o tratamento que têm dado às suas esposas e as conseqüências que isso pode ter, em termos de qualidade de vida, um grupo de maridos japoneses decidiu seguir esse caminho e fundou a Asso-ciação dos Maridos Carinhosos.

No Japão, as livrarias colocam à disposição das mulheres, manuais de auto-ajuda para que elas possam aprender a lidar melhor com um marido aposentado.

SINTOMAS NAS MULHERES
Os dados mostram que ao longo dos anos, os casais se afastam gradualmente, criando vidas separadas, mesmo tendo uma vida conjugal feliz, principalmente depois dos 60 anos. É nesse estágio que as mulheres no Japão têm começado a ficar doentes, apresentando os seguintes sinais: depressão, úlceras estomacais, irritações na pele e em volta dos olhos, dificuldades para se expressar, além de outros problemas.

SINTOMAS NOS HOMENS
Segundo os autores consultados, ao se aposentarem os homens passam a apresentar os seguintes comportamentos: Assistem televisão o dia todo; Implicam com coisas bobas; Reclamam do cardápio; Bagunçam a casa; Não ajudam nas tarefas; Querem dar ordens; Brigam com os filhos; e de quebra, assumem o papel de vítima.

DIA DA ESPOSA AMADA
Pensando nisso, a associação declarou a terça-feira como o Dia da Esposa Amada. Segundo seus criadores, neste dia, os homens devem chegar a casa mais cedo e agradecer suas mulheres pelo que fazem por eles e pela casa.

Além disso, o grupo mantém um site para interação e apoio dos maridos que procuram ajuda, onde constam as regras de ouro para o casamento, como chegar a casa até as 20 horas, chamá-las pelos nomes e não apenas por “você” ou grunhidos e olhá-las nos olhos enquanto conversam ou lhes dirigem a palavra.

A página da web também dispõe de um espaço em que os internautas podem escrever sobre o que sentem, ajudando aqueles que se sentem muito tímidos ou constrangidos para falarem a respeito ou se expressarem de alguma forma, e, pelas belas palavras de amor e pedidos de perdão, mostram que até os mais reservados podem virar o jogo e reconquistar suas esposas.

CONSIDERAÇÕES
Alguns autores comentam que os japoneses acordam de madrugada, varam noites trabalhando e se contentam com apenas 15 dias de férias por ano.

Considerando que esse ritmo de trabalho não ocorre no Brasil, pois como dizem alguns, “trabalho não é castigo, mas uma necessidade de sobrevivência”, os mesmos autores sugerem que os brasileiros estão livres dessa síndrome.

* Terezinha de Freitas Ferreira – é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coordenadora Operacional do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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