A Copa de Nossas Vidas

Ganhar dos Estados Unidos no futebol pode ser não grande coisa devido à tradição yankee neste esporte, todavia quando se vê a vitória de um país africano sobre a potência americana a comemoração parece ter gosto mais doce. Todavia, é importante perceber que não é a vitória política de um país sobre o outro, mas da competência individual e do trabalho em equipe sobre outra equipe esportiva. É este o espírito do futebol e dos esportes. Uma competição saudável para decidir quem ganha e quem perde por meio da competência, da aplicação tática de cada um e principalmente, pela garra e disposição de vencer. O mesmo serve em relação as nossas vidas.

É preciso os mesmos ingredientes, as mesmas emoções, dedicação e trabalho, empenho e suor, estudo e prática para crescer e desenvolver-se na vida. É preciso lutar pelos nossos ideais de um mundo melhor e mais justo, principalmente para transformarmo-nos em seres mais próximos desse ideal, pois nada mais justo, nada mais lógico do que mudar primeiro a si antes de querer cobrar mudanças do próximo. Mister se faz tirar primeiro o graveto do próprio olho para ter condições de ver melhor. É por meio da iluminação das virtudes internas da pessoa que o mundo se torna mais claro e mais cheio de esperança e não pela reclamação e críticas alheias. É preciso perceber que não se muda ninguém, mas pode-se convocá-lo para jogar no time da fraternidade e caridade. Assim, compartilhando idiossincrasias e histórias pessoais, competências e esforços pode-se transformar com mais facilidade o mundo onde se vive num campo justo de vivências e experiências para um número maior de pessoas. É preciso sair da letargia da insensibilidade à dor e da carência material e sentimental do nosso próximo, pois assim como muitos torceram e comemoraram à vitória de Gana sobre os Estados Unidos, também precisamos nos mover e desenferrujar as mãos para a caridade para os nossos irmãos humanos.

Que a Copa permita aumentar a consciência em perceber que, acima de atletas de diferentes nacionalidades, são seres de uma mesma condição humana. Assim, não deixemos de plantar as boas sementes da caridade e do amor.

Se se é preciso torcer na Copa, mais ainda é preciso vencer na vida. Todavia, se o futebol é uma caixinha de surpresas, não o é a vida. Como disse Paulo de Tarso: “o que o homem tiver semeado, é isso que vai colher” (Gálatas 6, 7).

Paulo Hayashi Jr.
Doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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