MAIS CAOS À VISTA :Rio Branco poderá ter paralisação geral da frota de ônibus na segunda

Após a ‘derrota’ na audiência de quarta, os trabalhadores do Transporte Coletivo ficaram de mãos atadas e foram obrigados a cumprir a ordem judicial de 50% e 100% no mínimo operante. Porém, não foi com um sorriso no rosto que eles voltaram aos seus postos de serviço. Passados 12 dias de greve e várias tentativas fracassadas de intermedição de acordos, a paciência da categoria começou a se esgotar. O acerto entre as partes está distante e agora todos os indícios para mais caos e desordem estão sendo delineados.
greve
Na manhã de quinta, os motoristas e cobradores se reuniram para criticar a decisão da Justiça e decidir o que poderia ser feito. Por unanimidade (e motivação pelo que houve no final do dia anterior), a votação foi breve e bastante clara: caso não haja negociação digna sobre a principal pauta da greve (intra-jornada) até a noite de domingo, a segunda (7) amanhecerá com a frota de ônibus da cidade completamente parada (100%).

Assim começou o indicativo de que a próxima segunda poderá ser tão caótica quanto a última (31). Mas o pior não é pensar na revolta dos 40 mil usuários prejudicados com tal decisão. O pior mesmo é imaginar que o cenário deste dia poderá ser o de prisões dos servidores (pais de famílias), com aplicação da multa de R$ 100 mil por infrator da liminar do 14º TRT/RO, demissão, processos judiciais e/ou bens penhorados.

Estas são algumas das conseqüências que instalar uma ‘greve ilegal’ (100% inoperante) pode gerar. Ainda assim, nenhum deles sequer hesitou em votar SIM pela paralisação.

“Não vale mais a pena desistir, pois já chegamos longe demais. Até então, fizemos tudo da forma correta, e só o que conseguimos foi o desrespeito, humilhação e o massacre na Justiça. A partir de agora, se não houver sensatez da parte da prefeitura e das empresas, vamos ter que tomar providências mais enérgicas e partir para o tudo ou nada. Todos os trabalhadores estão revoltados”, desabafou José Afonso, vice-presidente do Sinttpac.

Até o fechamento desta edição (17h), parece que a ameaça não havia sido tão levada a sério. Apenas a deputada federal Perpétua Almeida havia se disposto a sentar e ouvir a presidente do sindicato. Segundo Celina Costa, a deputada ouviu o relatório completo dos 12 dias de greve com a visão dos trabalhadores e prometeu que tentaria achar algum meio para trazer as duas partes para uma negociação mais amistosa.  

Sobre a decisão judicial

Para definir a última decisão do 14º TRT/RO, a presidente do Sinttpac só conseguiu destacar as palavras ‘absurda’, ‘fria’ e ‘desumana’. Segundo a líder sindical, a juíza deveria ter vindo para resolver o impasse entre as partes, mas só o que a ‘audiência de reconciliação’ fez foi pisar em cima do trabalhador. “Não tivemos nenhuma chance de nos defendermos e de mostrar a realidade que enfrentamos no nosso dia-a-dia. Aquilo só serviu para humilhar o orgulho do nosso movimento”, comentou.

Quanto as decisões de 100% em horas de pico e 50% para normais, o vice-presidente José Afonso reforçou a frustração dos motoristas em cumprir tais percentuais e disse que o sindicato precisa recorrer, já que a juíza foi contra a liminar anterior emitida pela a presidente do 14º TRT/RO, desembargadora.

Os dois lados estão esperando

Enquanto os trabalhadores esperam uma negociação, do outro lado os empresários do Sindcol também estão no aguardo. Conforme o gerente administrativo da entidade, Sergio Pessoa, não há nada que as empresas possam fazer para evitar a parada de 100% na frota além de esperar que haja bom senso e uma atitude como esta não seja tomada. Ele destacou o quanto tal ato seria prejudicial à população.

Sergio também aproveitou para esclarecer que a decisão de quarta foi exclusivamente feita pela Justiça, e não pelas empresas. “Fizemos pedido ao tribunal apenas para tentar chegar a uma conciliação com a categoria. Na audiência, colocamos à juíza aquilo que achamos mais adequado para a greve e foi ela, e só ela, quem tomou a decisão”, disse.   

Segundo ele, a discussão da intra-jornada não está na alçada das empresas e sim na competência da Justiça. Ao que cabe ao sindicato, o fim da intra-jornada não é uma pauta negociável porque se trata de um beneficio obrigatório. Descumpri-lo seria inconstitucional (os motoristas dizem que a Orientação Jurisprudencial, OJ, SDI1-132 garante negociar o item, mas o Sindcol é que está com má vontade de fazê-lo).

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