Produtores acampam no Incra para pedir melhoria de ramais

Famílias do Projeto de Desenvolvido Sustentável (PDS) Nova Esperança voltaram a acampar na sede da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Rio Branco. Eles denunciam as precárias condições dos ramais que dão acesso à região e cobram medidas urgentes.
Granja1
PDS são projetos de assentamento especiais implantados pelo Incra, onde o foco é a preservação do meio ambiente. São diferenciados por se preo-cuparem com o uso racional e sustentável dos recursos naturais. O problema é que o ser humano está sendo relegado a segundo plano.

De acordo com a agricultora Maria Elira do Nascimento, 66 anos, para chegar e sair do local as famílias têm que optar entre uma viagem cheia de risco pelo Rio Acre, seguindo de barco até o município de Porto Acre ou percorrer 72 km pelo Ramal Caquetá até a estrada de Boca do Acre.

“De todo jeito a gente sofre. A viagem de barco é arriscada e ainda temos que percorrer 18km de Porto Acre até Rio Branco. Se optarmos pela estrada de Boca do Acre a distância é maior ainda, tendo como caminho um ramal precário”, conta.

A agricultora Josilene Feitosa acredita que a construção de uma ponte sobre o Rio Acre, interligando a região do município de Porto Acre, seria a solução. “Tem tanta ponte em Rio Branco, o governo deveria construir uma também para nós”, propõe.

Segundo ela, em virtude da precariedade dos ramais, o cultivo de grãos e hortaliças está prejudicado. “A gente passa o ano todo cultivando e não tem como transportar a colheita até a cidade para vender”, disse.

Josilene reclama ainda da ausência de escolas. Ela se queixa que as crianças do PAD Nova Esperança só estudam até a quarta série porque não tem como se deslocar diariamente até a cidade para dar continuidade aos estudos. “São essas coisas que os nossos governantes deveriam estar vendo e não estão. Fomos abandonados”, protesta.

Recuperação de ramais deve começar em três semanas
As famílias chegaram à sede do Incra por volta de 23h da última segunda-feira (28) e tiveram que pernoitar no local. Na manhã de ontem, o presidente da Associa-ção dos Produtores do PAD Nova Esperança, Eliseu Fernandes Ramos, foi recebido pela direção do órgão.

Segundo Eliseu, tanto a direção do Incra como do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre) se comprometeram em rever a situação dos ramais. Os trabalhos devem começar no máximo em três semanas.

Serão abertos 2,3 km e reabertos 6,2 km. A partir da promessa de melhorias, o protesto dos produtores foi suspenso e eles retornaram ao PAN Nova Esperança, sob o alerta de que podem retornar, caso o acordo não seja cumprido. 

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