Em tempo de convenções Jorge Viana critica “bacanal político”

Com a agenda lotada de convenções, o ex-governador Jorge Viana, concedeu, ontem, uma entrevista exclusiva À GAZETA. Jorge Viana foi uma das maiores atrações da FPA nas convenções de Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Depois, no domingo, esteve, em Brasília, participando do ato que confirmou Dilma Rousseff (PT) candidata à Presidência da República.
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Com a sua volta à política como candidato ao Senado, Jorge Viana não escondeu que considera esse o maior desafio da sua carreira. “Este ano comemoramos 20 anos do movimento político que transformou o Acre”, ressaltou.

História da FPA
Jorge Viana lembrou da criação da FPA. “Nascemos com os ideais de Chico Mendes e o apoio do presidente Lula (PT). Gosto de lembrar que o Chico Mendes assinou a ficha 1 do PT levada pelo Lula para um boteco, em São Paulo, para assiná-la. Isso porque, nos anos 80, ainda havia muita repressão e o ato não poderia acontecer na sede do partido. Esse ato e a ajuda do Dom Moacyr Grechi, que incentivou a aglutinação dos movimentos populares, foram fundamentais para o início do PT, no Acre, em 84. A nossa geração de políticos foi privilegiada por ser apadrinhada pelo Lula e lutar com os ideais do Chico Mendes”, lembrou.

O ex-governador gosta ainda de recordar que, em 86. o sindicalista foi lançado candidato a deputado estadual. “Fizemos isso porque o Chico Mendes estava ameaçado de morte e achamos que se ele se tornasse uma autoridade a situação poderia mudar. Mas quem acabou sendo o destaque político da época foi a Marina Silva que se tornou a vereadora mais votada de Rio Branco nas eleições de 88. No mesmo ano o Chico foi assassinado e o nosso sonho de transformar o Acre num modelo de desenvolvimento sustentável parecia acabado. A candidatura do Lula em 89 fez a gente sonhar de novo. Conseguimos superar as brigas internas do PT e enfrentamos o Branquinho (PL), em 90, que já se considerava governador do Acre. Um aventureiro que nem daqui era”, afirmou.

Foi assim que a FPA surgiu unindo as esquerdas acreanas em torno de uma proposta. “Durante esses anos que governamos o Acre o nosso movimento se tornou uma referência política no Brasil. Usamos a bandeira do Acre e o nosso hino para incentivar as pes-soas a um retorno a auto-estima e o orgulho de ser acreano. Com isso implantamos um novo modelo de desenvolvimento que chama a atenção do mundo inteiro. Depois de 20 anos, a FPA continua tão nova e dinâmica quanto antes”, comemorou.

“Bacanal político”
Um dos principais objetivos da sua candidatura ao Senado é ajudar a promover uma reforma política no Brasil. “O que a gente vê é um bacanal político. O PT apoiando a Roseana Sarney (PMDB), no Maranhão. O PV com o Renan Calheiros (PMDB) em Alagoas. O DEM marchando com o PT no Pará e o PSDB aliado ao Roriz (PSC) no DF. Está acontecendo a peemedebização da política nacional. Admito o valor do PMDB, que foi um dos responsáveis pela redemocratização nacional. Mas o partido virou uma frente que tem sérios problemas nos estados”, avaliou.

Questionado se a união entre o PT e o PMDB para a disputa à presidência não seria outro exemplo de contradição, Jorge Viana, discordou. “Essa é uma aliança de conveniência. Ninguém consegue governar o Brasil sem o PMDB. Mas foi uma união feita às claras que será submetida à aprovação popular nas eleições. Por isso quero, com meu irmão político, Edvaldo Magalhães (PCdoB) chegar ao Senado para sermos protagonistas das mudanças necessárias. Temos que fazer uma reforma política que privilegie os partidos políticos. Só teremos uma democracia forte, do tamanho do Brasil que o presidente Lula está deixando, se fortalecermos os partidos”, justificou.  

Outra questão abordada por Jorge Viana foi a eleição presidencial.

“Disciplinadamente vamos seguir o presidente Lula que foi o que mais ajudou o Acre votando na Dilma. Pouca gente sabe o que sofremos com a saída da Marina do PT. Espero que ela seja bem votada no Acre, mas queremos que a Dilma tenha uma vitória histórica sobre o Serra no Estado. O Brasil ser governado por uma mulher como a Dilma é um reconhecimento por tudo que o Lula fez para o nosso país”, finalizou.  

 

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