A questão energética do Acre

É preciso fazer uma reflexão sobre o assunto além dos problemas cotidianos que enfrentamos com a distribuição da energia elétrica no Acre. Os problemas já são fatos que todos nós temos sofrido quase que cotidianamente com os apagões e a péssima qualidade da energia que consumimos. Sem falar nas tarifas exorbitantes que inviabilizam muitas iniciativas empresariais no Estado. Mas é preciso lançar um olhar sobre o futuro para encontrarmos soluções viáveis.

As próximas eleições podem ser um momento importante para o debate desse assunto. Primeiro porque fica difícil imaginarmos um crescimento econômico viá-vel para o Acre sem uma solução definitiva para a questão da energia. Por mais que os propalados “linhões” e a construção das usinas Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, possam representar uma luz no fim do túnel, não acredito que resolverão o nosso problema. Já sabemos que essa distribuição não chegará, por exemplo, ao Juruá. Uma região fundamental para a integração social e econômica do Estado.

Isso não será o fim do mundo se houver um investimento em formas alternativas de produção de energia. Para quem não sabe a Agência Nacional de Petróleo (ANP) continua recebendo investimentos para a prospecção de matizes energéticas no Acre. Se for encontrado o gás poderemos ter uma fonte garantida para alimentar um sistema estadual de distribuição de energia limpa em quantidade suficiente para novos empreendimentos industriais. Considero o gás muito mais importante do que o petróleo, no nosso caso. Inclusive, a sua exploração é muito menos agressiva ao meio-ambiente.

Por outro lado, temos um exemplo de auto-sustentabilidade energética na fábrica de pisos de Xapuri. Quem alimenta todo o moderno maquinário industrial são as caldeiras que aproveitam os detritos do beneficiamento da madeira. Um dos gerentes da fábrica me falou que se fosse permitido poderia mandar as sobras energéticas para alimentar parte das necessidades de Xapuri.

Temos ainda milhões de toneladas de biomassa gerada pela agricultura e a exploração florestal no Estado que atualmente são simplesmente dispensadas. Um programa de aproveitamento poderia gerar energia suficiente para vários empreendimentos no interior do Acre. Sem falar nas possibilidades de exploração dos óleos vegetais da nossa floresta.

Portanto, mais do que depender exclusivamente dos empreendimentos em curso, está na hora do Acre criar um programa energético próprio. Com várias pequenas usinas abastecidas pelos mais diferentes tipos de matizes para não dependermos inteiramente da rede nacional. É um caminho alternativo que pode garantir a geração da quantidade e da qualidade energética para uma verdadeira revolução econômica no Acre. Sobretudo da mudança de paradigma da dependência de dinheiro público para o crescimento da nossa iniciativa privada. A minha impressão é que essas soluções estão muito próximas, logo ali, nos nossos quintais.

* Nelson Liano é jornalista
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