Banalização do voto

A questão da eleição dos próximos 24 deputados estaduais que vão nos representar na Aleac me preocupa. Depois de fazer a cobertura jornalística da casa parlamentar acreana pude identificar avanços importantes na sua gestão e no seu debate democrático cotidiano. A Aleac é um importante espaço de liberdade para as aspirações de transformações dos habitantes do Estado.  Funcionando bem, o nosso parlamento é a certeza de uma evolução social e econômica segura para o Acre. Pode ser ainda um celeiro de boas idéias para a ação do executivo.

A minha preocupação se refere ao enorme número de candidatos a deputado estadual que se apresentarão ao pleito de 2010. Entre a situação e a oposição deverão ser mais ou menos 500 concorrentes às cadeiras. Se isso ajuda sobremaneira as candidaturas ao governo, por outro lado, poderá baixar o nível de qualidade dos eleitos para a Aleac.

O Acre tem cerca de 700 mil habitantes e pouco mais da metade são os eleitores. Isso significa que com tantos candidatos certamente haverá uma proximidade da população dos nomes dos postulantes. No entanto, a gente sabe que esse fato ao invés de ajudar acaba atrapalhando o processo de escolha. Muita gente vai votar em fulano ou beltrano por ser vizinho, parente, amigo, etc. Sem falar nas já tradicionais compras de votos com dinheiro e favores que acontecem nas eleições proporcionais. A escolha pela ideologia ou capacidade de atuação serão requisitos secundários.

Temo que possamos ter uma próxima legislatura na Aleac muito fraca com candidatos eleitos por identificações familiares e não ideológicas. Espero, com sinceridade, estar completamente errado na minha avaliação. Mas qualquer pessoa que utilize à lógica poderá chegar à mesma conclusão. Seria uma pena se isso acontecesse.

Só há democracia quando governistas e oposicionistas promovem uma disputa saudável. O debate é importante para a população poder avaliar as ações do executivo. O parlamento tem o papel de aprovar, debater e fiscalizar. É o coração da máquina administrativa e o instrumento político para promover o diálogo entre todos os setores da nossa sociedade. Espero que os eleitores escolham seus candidatos com crité-rios mais rígidos que não sejam a de eleger um vizinho para depois ir lá no seu gabinete cobrar favores. Isso seria um retrocesso muito grande para um Estado que está avançando na sua vida política e social.        

* Nelson Liano é jornalista
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