Questão de foco

Um dos maiores marqueteiros do mundo, o norte-americano All Ries,  apregoa que o sucesso de um produto depende de estreitar o foco da sua promoção. Isso significa fazer estudos preliminares para saber quem é o real público consumidor do referido produto. A partir daí, a campanha publicitária deve acontecer com uma linguagem fami-liar ao público alvo. Isso inclui trabalhar os valores dessa parcela so-cial com sagacidade e precisão para criar a identificação entre o produto e o seu consumidor.

Essa máxima do marketing serve perfeitamente para a política e a gestão pública. É preciso ter foco para saber o que é de responsabilidade de cada instância da administração pública. Não é aconselhável uma prefeitura desempenhar papéis que cabem ao Governo do Estado ou mesmo ao Governo Federal. No teatro a gente teria certeza que se um ator com a restrição de recursos e talentos tentasse fazer um papel mais sofisticado acabaria sendo tachado de canastrão. Uma cantora pop que fosse cantar uma ária de ópera seria um desastre. O melhor é a gente conhecer o nosso limite para ajustar o foco e dar um tiro certeiro. Atirando para todo o lado certamente vamos errar o alvo primordial.

O papel de uma prefeitura é manter as ruas trafegáveis e sem buracos, as calçadas transitáveis, a água na torneira das casas dos munícipes, um atendimento básico de saúde decente e uma coleta de lixo eficiente. Se esses requisitos não forem observados teremos uma gestão municipal desastrosa.

Definitivamente não é papel de uma prefeitura criar secretarias da mulher, da criança, do adolescente, do sexo dos anjos, etc e tal. Até poderia ser se a cidade em questão estivesse com o seu saneamento básico resolvido, as ruas ladrilhadas, as calçadas floridas e a saúde pública radiante. O foco é proporcionar as mínimas condições de urbanidade para os moradores da cidade. 

Moro apenas há 1 ano e seis meses em Rio Branco. Tenho andado por bairros como a Cadeia Velha e o Esperança e o que vejo da situação urbana dessas localidades me deixa entristecido. Como sou usuário de táxis os motoristas costumam me fazer relatos de lugares em situação ainda pior.

Reclamam muito dos buracos das ruas intransitáveis e do trânsito da cidade. Conversando diariamente com os ouvintes do quadro Boca no Microfone, da GAZETA FM, também ouço muitas histórias. Está na hora de alguém parar, vestir as sandálias da humildade, analisar a atual situação de Rio Branco e trocar o foco. Ninguém vai negar os avanços e nem achar que os problemas se resolvem com um passe de mágica. Mas quando a situação do paciente é muito grave é preciso que o médico trabalhe muito mais para poder curá-lo.

* Nelson Liano é jornalista
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