A nova fronteira do futebol

Mal tinha começado a Copa do Mundo e todos os analistas – inclusive palpiteiros, entre eles eu – demarcavam o mapa mun-dial do futebol. Nem imaginavam todos que no mesmo lugar aonde surgiu a humanidade, na África, as fronteiras iriam mudar. Alguns irão culpar os signos (isso parte do técnico da França, Raymond Domenech), outros as mudanças na Lua, levando o centro do futebol para novos continentes.

Na véspera da “dita” Copa ninguém poderia imaginar a classificação dos cinco representantes sul americanos para a fase seguinte, dominando suas chaves. Todos deixavam para trás seleções melhores ranqueadas pela Fifa (grande coisa esse ranking). Japão e Coréia do Sul deixavam claro que os países asiáticos devem ser respeitados daqui para frente.

Um novo continente emergiu nos mares do Sul, os “Zebralândia”, com países totalmente desconhecidos para o Planeta Futebol. Talvez sejam a Atlântida perdida, pois surgiram para a Copa derrubando nações forte do futebol. Temei, pois esse continente promete novas surpresas até a decisão no dia 11 de julho.

Nas principais casas de apostas, isso em maio, países como Itália (campeão mundial) e França (vice), eram destaques. Claro que talvez muito mais pela tradição do que pelo recente retrospecto de am-bas. As duas potên-cias demonstraram que seu “poderio bélico” estava sucateado e era mais máscara, dos birrentos jogadores, que ameaça verdadeira. O clube das grandes seleções mundiais será reescrita e quem viver, verá essa transformação.

A tentativa de se incluir na nova fronteira, as seleções clamaram por seus “Golias”, porém a estratégia não surtiu efeito. Dierry, Drogba, Eto’o, Pirlo, até mesmo Kaká e Cristiano Ronaldo não chegaram perto de seus verdadeiros potenciais, enquanto outros “Davis” surgiram como promessas, entre eles Honda, Donovan levaram suas seleções para outro patamar da “batalha”. Talvez o único que conseguiu jogar e convencer foi Lionel Messi.

Antes de mais nada, sou um apaixonado pelo bom futebol, por isso mesmo que, quando uma seleção começa a simplesmente fazer insistentemente “chuveirinho” na área adversária, alguns alçados na metade do campo, imagino o final do futebol arte. Mas que surgem craques, contrariando o retranqueiro Dunga, com o Júlio Batista, como são Maicon e Robinho, e penso que atravessamos apenas uma nova crise mundial, igual a de 28, mas logo vai passar.

Não se espantem, leitores, se no final da Copa alguns colocarem a culpa de suas derrotas na bola – a “jabulani” -, afirmando estarem possuídas por Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo dos Goleiros). O certo é que este momento ecológico que o mundo atravessa, os goleiros resolveram salvar uma certa ave, o FRANGO, pois não me lembro de outra Copa aonde houvessem tantos e tão bem criados.

O Brasil permanece no continente das grandes seleções. Quanto tempo? Isso nem Dunga, ou Júlio Batista, podem dizer.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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