Comentarista

Durante a Copa do Mundo um dos personagens mais odiados por onde passo são os comentaristas – claro que a exceção é o locutor Galvão Bueno – , apontando o dedo inquisidor  contra os menos afortunados. São eles que afirmam que os árbitros são medíocres por não expulsarem em um jogo e no seguinte voltarem a afirmar que a expulsão foi um excesso.

Esqueçam, leitores, tentar chegar a um consenso, pois eu próprio acredito que o crítico, digo, o comentarista de arbitragem vai de “cara”. Se ele for com a cara do árbitro, vai inocentar qualquer falha, mesmo o capital (penalidade máxima), porém se não for assim, será motivo de crítica durante os 90 minutos, pois é disso que eles sobrevivem na televisão e, infelizmente agora, nas rádios também.

No jogo que resultou na derrota da Alemanha, derrubando mais uma invencibilidade de um favorito ao título, vi um árbitro usar de um critério que era: carrinho e entrada por trás era punido com cartão amarelo. Assim foi no segundo cartão amarelo do atacante Klose, motivando a expulsão. Dentro do critério adotado desde o início foi coerente, mesmo assim o comentarista da “Toda Poderosa” preferiu dizer que o mesmo havia se excedido, atrapalhando o espetáculo. Que é isso? Partindo do mesmo comentarista que dias antes pedia mais rigor nos jogos.

Neste mesmo caminho, da intolerância, podemos apontar o ex-jogador do Corinthians, comentarista da “outra” retransmissora da Copa do Mundo. Desculpem para quem gosta do estilo polêmico, chamando todos de incompetentes, que não sabem jogar, enquanto outros, nem tanto craques, são elogiados, tantos os “pernas-de-paus”, quanto as famílias dos “pernas-de-paus”, os clubes do “pernas-de-paus”, entre outros.

Qual o critério adotado para insultar uns e elogiar outros? Qual a real necessidade destes comentaristas sem critério? Qual a necessidade de cada vez mais comentaristas, os ex de alguma profissão, terem que mostrar que sabem mais que os que estão dentro de campo? Ou a necessidade de um ponto a mais no Ibope obriga que o insulto seja o pilar de um jogo?

Em casa sou considerado meio louco, isso porque um apaixonado pela rádio, costumo ligar a televisão, abaixar o volume e me envolver na paixão que os locutores passam para seus ouvintes. Um mero lance de falta, todos parados, é motivo de comentários inusitados, bem diferentes dos comentaristas “globais” e “band-bing” das Copas.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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