Fecham-se as cortinas do futebol

Neste domingo chega ao fim mais um Campeonato Estadual de Futebol Profissional. O campeão será conhecido após 180 minutos de jogo, iniciados no último final de semana, com vantagem para o Rio Branco FC. Para conquistar o título para o interior, pela segunda vez na história acreana, o Nauás EC precisa vencer no tempo normal e o extra.

Contrariando as aulas de redações na faculdade, vou sair do assunto, por enquanto, da final. Importante salientar a competição, sua fórmula de disputa, a chegada de torcidas, a rivalidade sadia dentro e fora dos gramados e, com certeza, o melhor campeonato acreano disputado na última década.

Os times pequenos reclamaram muito da fórmula de prestigiar as equipes, onde as seis equipes que saíssem na primeira fase teriam direito a apenas R$ 20 mil, valor insuficiente até mesmo para pagar os “honorários” dos jogadores, quanto mais as outras despesas. Mas ao mesmo tempo vimos da menor estrutura até o “primo rico” – no caso o Rio Branco – buscando cada ponto, como se fosse uma decisão, tudo para passar para as semifinais e garantir mais R$ 30 mil.

As quatro equipes que chegaram nas semifinais – Atlético Acreano, Juventus, Nauás e Rio Branco – qualquer uma delas mesmo que conquistasse o título e “arrebanhasse” o prêmio de R$ 80 mil (lembrando que o vice leva R$ 70 mil), não seria o suficiente para pagar as despesas geradas pela competição. Chegamos então a conclusão que é preciso investir, para chegar na disputa final e que, infelizmente, os pequenos não conseguem gerar essa “condição financeira”.

O Juventus foi um “intruso” na semifinal, uma vaga dada de presente, pois quem deveria ter ganho seria o Plácido de Castro. Isso colocaria duas equipes da Capital e duas do interior em disputa direta. E o por que duas do interior? Pelo apoio que suas prefeituras dão para seus clubes, além do apoio – pequeno é claro – dos comerciantes. Na Capital isso não se repete e esse fator leva a crer que muito em breve teremos muitos outros campeões do interior, claro que quando estiverem devidamente organizadas.

Volto para falar que a final tem as duas equipes que menos mexeram na base durante a competição, as que souberam se planejar ainda no início da temporada, que tiveram um esquema tático definido para os jogadores assimilarem durante o Estadual. Mesmo que venha a perder em jogo, o melhor elenco individualmente entre na decisão é o Rio Branco, por isso deve levar o título. Porém favoritismo nunca significou conquistar algo, por isso mesmo vou assistir e prestigiar (e trabalhar) a final do Melhor Estadual dos Últimos Anos no Arena, domingo.
 
Ramiro Marcelo é jornalista.
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