Os “argentinos” do futebol

Começa a Copa do Mundo, única competição que põe lado a lado os amantes do futebol e aqueles que se dizem anti-futebol, que iremos batizar neste texto de “argentinos”.

Naquelas famosas mesas de “botecos” o que mais se vê, e ouve, são os técnicos de fundo de quintal, plenos conhecedores do futebol, suas regras e seus personagens. Porém até o dia 11 de julho teremos a companhia dos “argentinos”.

Imagine-se, caro leitor amante do bom futebol, num desses botecos e sentar-se uma “argentina”, com direito a três BBB’s (boa, bonita e você sabe o resto), árdua “televisionista”, crítica sobre o drama pessoal de Luciana, personagem da atriz Aline Mores, a paraplégica que deu a volta por cima na novela Viver a Vida.

Sem saber como “funciona” o futebol, passa a indagar sobre as regras, sem saber que você está fazendo a “leitura” do jogo para, quando for soltar uma análise no gol perdido, normalmente com palavras técnicas tipo #$%@$#&¨*, não tem tempo a perder explicando. Porém homem que é homem sempre imagina conseguir aproveitar as duas “loiras”, uma estupidamente gelada sobre a mesa e a outra estupidamente “caliente” ao seu lado, no caso a “argentina”.

Perguntas como: “porque todos correm atrás da bola?”, “porque não correm com a bola na mão, afinal com o pé é mais difícil?”, não são perguntas impossíveis.
Você já explicou sobre futebol é com o pé, o gol é importante, a falta e o pênalti, além da importância do silêncio durante o jogo, pelo menos da “argentina”. Tudo corre tranqüilamente e o torcedor/técnico de botequim começa a ter garantido a prorrogação (pós-jogo) com a “argentina”, quando no ataque da seleção adversária a brasileira, ela solta um grito no meio do “templo do futebol” (ainda estamos no boteco): “pênalti”. Me viro para a “argentina” e pergunto por que e ela responde sem nem mesmo ruborizar: “Ora, aquele jogador bonitão do Brasil pegou com a mão”. Me viro para o telão e vejo apenas o goleiro Júlio César em posse da bola com as mãos, na sua imensa segurança, numa difícil defesa. A paixão pelo futebol fala mais alto e dou cartão vermelho para a “argentina”.
Copa do Mundo é difícil e os sacrifícios, por pior que sejam, são necessários.

Ramiro Marcelo é jornalista e cronista esportivo.
[email protected]

Assuntos desta notícia

Join the Conversation