A varicocele é causa mais comum de infertilidade masculina

A infertilidade masculina é a impossibilidade de fecundar um óvulo e cerca de 20% dos homens no mundo apresentam essa dificuldade de fecundação. Os casos mais comuns, geralmente referem-se à hipofertilidade, ou seja, quando o homem tem dificuldade para engravidar a mulher.

Segundo Felippini (2006) 40% dos casos de infertilidade se devem a fatores masculinos e estão ligados à produção dos espermatozóides. Dentre as causas mais comuns encontram-se: a) ausência destas células (azoospermia); b) a diminuição do seu número (oligospermia), c) alteração na forma (teratospermia), d) alteração na capacidade de movimento (astenospermia); e) alteração na vitalidade (necrospermia).

Alguns autores consideram que além destas causas, ainda podem ocorrer a produção ou a excreção inadequada do espermatozóide, anticorpos anti-espermatozóides, obstrução do trato genital, criptorquidia, distúrbios do canal da ejaculação. Outros autores defendem que o uso de álcool, drogas e medicamentos, bem como as alterações hormonais e genéticas, também devem ser consideradas. 

Estudos têm demonstrado que entre as causas conhecidas, as mais freqüentes são a varicocele (70%), os processos inflamatórios (20%) e a disfunção hormonal (10%). Quando o homem infértil procura o urologista, a varicocele é o diagnóstico mais comum e felizmente, a mais tratável.

ESPERMOGRAMA – Uma vez detectada a varicocele, o primeiro procedimento adotado pelo médico é o pedido de um espermograma, o qual inclui o estudo de aspectos particulares da função espermática como a concentração, motilidade e morfologia, tanto na quantidade, quanto na qualidade de células espermáticas. A realização deste exame, além de ajudar no diagnóstico de infertilidade, também é capaz de detectar infecções e outras patologias genitais.

Para realizar o espermograma, alguns critérios que segundo Gardenal (2006) devem ser adotados: o homem deve permanecer durante 2 ou 3 dias em abstinência sexual. O volume mínimo a ser examinado é 2 ml. A concentração mínima necessária para ocorrer a fecundação é 20 milhões de espermatozóides por um mililitro de esperma. Quando o valor for inferior, a probabilidade de fertilização fica comprometida.

Cerca de no máximo 30 minutos após a coleta do material (sêmen) este é submetido a várias técnicas de análise, quais sejam: exames macroscópios (tempo de coagulação, volume, viscosidade, aspecto e cor); exames microscópios (contagem de espermatozóides, motilidade, mor-fologia, vitalidde, contagem de leucócitos, pesquisa de anticorpos e antiespermatozóides); e teste opcio-nais: a) exames bioquímicos: frutose, ácido cítrico, zinco, a-glucosidade) e b) testes funcionais: teste HOS – hipoosmótico,  teste de penetração espermática, interação esperma-tozóides – muco cervical, pesquisa bacteriológica.

Se os sintomas da varicocele são ligeiros ou médios, os seguintes tratamentos também são recomendáveis: 1) o apoio testicular com um suspensor escrotal ou, pelo menos, com o uso de “slips” justos, embora não apertados; 2) se a dor não melhorar, pode ser necessário o uso de anti-inflamatórios orais; 3) a cirurgia tem geralmente lugar nos raros casos em que a dor testicular é intensa e persistente, ou quando o espermo-grama apresenta baixa contagem e um “padrão de stress”.
Ao longo do tempo, o estudo das causas da infertilidade sempre despertou interesse por parte dos estudiosos e atualmente, à medida que há interesse pelo estudo sobre o tema, pesquisadores têm demonstrado interesse também, pelo desenvolvimento de novas tecnologias reprodutivas. Autores asseguram que as técnicas de Fertilização in Vitro, Inseminação Artificial, e, principalmente, da Injeção Intra-citoplasmática de Esperma – ICSI, tem permitido que homens com alto grau de infertilidade se benefi-ciem tornando-se pais.

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL  – A inseminação artificial é a colocação do sêmen (selecionado pelo beneficiamento) dentro do útero da mulher, durante o seu período fértil. Porém, a mulher não pode ter ligadura de trompas nem problemas com a produção de óvulos, pois estes devem estar possibilitados a chegar até o útero e a se encontrarem com os espermatozóides.

FERTILIZAÇÃO IN VITRO – A fertilização in vitro é conhecida como “bebê de proveta”. Nesta técnica, o médico coloca o sêmen em contato com o óvulo dentro de um tubo de vidro, no laboratório, sendo aí realizada a fecundação. Após já ter sido fecundado, o óvulo é recolocado dentro do útero da mulher.

INJEÇÃO INTRA-CITO-PLASMÁTICA DE ESPERMA – A Injeção Intra-citoplasmática de Esperma – ICSI é a técnica mais cara e complicada, realizada nos casos graves, de homens com esperma excessivamente pobre em esperma-tozóides. Neste caso, o médico insere o espermatozóide dentro do óvulo, utilizando um microscópio. Estes espermatozóides podem ser obtidos por aspiração do local no testículo, local em que os espermas ficam armazenados. Pode ser realizada também, por uma biópsia do testículo. Após a fecundação, o óvulo é recolocado dentro do útero, como na fertilização in vitro.

IMPORTANTE – Mesmo que as técnicas de reprodução assistida estejam bem avançadas, a maioria dos casos de infertilidade masculina pode ser prevenida, se houver por parte dos homens, uma maior preocupação em fazer exames médicos periódicos a fim de detectar os problemas que porventura poderão ter com relação à fertilidade.

No entanto, é bom lembrar que muito embora, mais causas estejam sendo descobertas com a expansão do conhecimento sobre a fisiologia reprodutiva masculina, os especialistas afirmam que infelizmente, em cerca de 40% dos casos de infer-tilidade masculina, a causa não chega a ser identificada.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Departamento de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coordenadora Operacional do mestrado e Doutorado em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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