Automutilação: as formas mais freqüentes são cortar a própria pele, bater em si mesmo e queimar-se

Automutilação (AM), também conhecida como Autolesão (AL), corresponde a “uma forma de lesão provocada deliberadamente por uma pessoa a seu próprio corpo sem intenção de suicídio”. Tais atos podem ter, como intenção, o alívio de emoções insuportaveis, sensações de irrealidade, bem como a apatia (geralmente causadas por experiências dissociativas como a despersonalização).

Conforme indicam alguns autores, a automutilação pode afetar pes-soas de qualquer idade ou sexo, porém ela é mais comum nas pessoas do sexo feminino. Normalmente as pessoas que se automutilam têm motivos como: bulimia, anorexia, distúrbios mentais, bullying, etc.

FORMAS DE AUTO-MUTILAÇÃO – As principais formas de automutilação compreendem: Cortes na pele; Enforcar-se por alguns instantes; Morder as próprias mãos, lábios, língua, ou braços; Apertar ou reabrir feridas (Dermatotilexoma-nia); Esmurrar-se, chicotear-se; Arrancar os cabelos (Tricotilomania); Queimar-se, com cigarro, produto químicos (por exemplo, sal e gelo); Furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas; Beliscar-se, ou arranhar-se com clips para papel; Ingerir agentes corrosivos, alfinetes; Envenenar-se, medicar-se (por exemplo, exagerar na dose de remédios e/ou álcool), sem intenção de suicídio.

Uma forma de automutilação considerada mais grave, porém mais rara, é aquela que pode levar o indivíduo a amputar seus próprios membros.
A maioria dos autores consultados sugere que a automutilação é mais freqüente nas crianças privadas de cuidados maternos, bem como nos sujeitos psicóticos, que ferem o corpo como forma de sentir algo, ainda que esse sentir seja a dor física. Contudo, este pode ser apenas um comportamento que é sintoma de perturbação mental, sem estar enquadrado numa doença diagnosticada.

Auto-lesão entre indivíduos com distúrbios de desenvolvimento (por ex., autismo, retardamento, inteligência limítrofe) envolve, geralmente, ações, tais como bater a própria cabeça contra a parede, esmurrar superfícies duras e morder-se. Também é bastante comum os pacientes com automutilação desenvolverem um outro comportamento conhecido como “pica”: o de engolir substân-cias/objetos que não são comestíveis.

FORMAS DE IDENTIFICAÇÃO – No caso de desconfiança, para identificar alguém que apresenta esse comportamento (auto-mutilação), basta observar que estas pessoas geralmente usam roupas de mangas longas, mesmo no verão, com altas temperaturas; apresentam várias cicatrizes ou lesões repetidas e tem dificuldade para explicá-las; e também se isolam evitando situações onde seu corpo pode ser exposto, a exemplo da praia ou piscina.

Alguns autores, a exemplo de Giusti (2010) asseguram que as pessoas que apresentam automutilação sentem vergonha e medo de revelar este comportamento, por conta disso, tentam esconder as lesões e as fazem solitariamente onde não podem ser observadas, pois elas reconhecem que este comportamento não é bem aceito pelas pessoas. Estas pessoas podem apresentar sintomas depressivos e de fobia social associados.

TRATAMENTO – Ainda não há medicação específica indicada para a automutilação, porém, a medicação pode ser indicada para alívio dos sintomas depressivos e ansiosos que podem colaborar para a manutenção do comportamento.

Há ainda, algumas medicações que são usadas com o intuito de diminuir a impulsividade e ajudar o paciente a resistir à vontade de se machucar, caso esta apareça.

A psicoterapia, também tem sido utilizada e, nestes casos, tem como principal objetivo ajudar o paciente a identificar outras formas de lidar com frustrações, que sejam mais eficazes do que seu comportamento.

RESUMINDO… – O número de métodos automutilantes geralmente depende da criatividade do indivíduo. Uma forma comum envolve fazer cortes na pele dos braços, pernas, abdômen, coxas, etc. Os locais de lesão são, geralmente, áreas escondidas de uma possível detecção por outras pessoas.

Estudiosos da área relatam que os pacientes descrevem o início da automutilação após vivência de forte emoção, tais como a raiva. Tal comportamento é por eles utilizado, como forma de lidar com a emoção.

Com o passar do tempo, o paciente observa que obtém alivio de sensações ruins e passa a repetir a automutilação com o objetivo de obter alívio novamente. Assim, ele começa a planejar e, muitas vezes, ritualizar a realização do ferimento. Estes comportamentos podem ser desencadeados por uma vivência traumática ou apenas pela lembrança desta.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac. 

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