República Independente do Acre

SITASSÃO – “Ela tá de çaia e de bissicletinha. Uma mão tá no guidon, a outra, na calsinha!” – Nem Catolé

SIGAMMMM1
Flash7
Esta titular ladeada pelos xiquézimos Cara- de- alma, Chico Doido, Bigode de Soím, Raimundo Cospe- grosso, Marcelão da Oficina, Chico Detran, Garupão, Sebo, Cara- de- Jaca, Pescoço de Socó, Toínho Passa- faca e Rodrigo Polimento: amizades mil

Adoooooooooorei a Festa das Comestíveis!

Fui num Chevete podre de xique dumas sócias latem do Caladinho, mulheres mortas de elegãntis antes.

Nunca vi tantas mulheres elegantis de botas na minha vida, desde que vim de Camutama e trabalhei como açessora para Zona de Proceçamento de Isportassão na casa do Seu George Pinheiro.

Gentes mil me chamárão mas eu queria ir na Comitiva de Selva, porque o rái- soçaite quer vencer de vida!

Axei podre de xique a festa, mas o Seu David Friale disse que o Esquenta da Expoacre vai congelar. Riririri!

Ai, ai! Eu çó se lembro do Seu Silvio, o meu patrão. Ele ri açim, sabia?: – Ririri!

Vou cubrir a Expoacre, nem que eu tenha de dormir no Point do Pato pra falar com a Dona Ivete e pedir um credenssiamento, porque ela é uma mulher que tem prestígil.

A Dona Ivete é minha ídola, a minha muza (E do Seu Silvio, claro!) e fôro eles que mudarão a minha vida.

O Kalunismo Çociau tem mi trazido muitas alegrias, como a casa nova que eu mi iscrevi na Cohab prá ganhar no Tranquedo Neves, apezar daquele talzinho de Seu Luiz Theodoro, que veve me aboicotano e não me deicha se afilhiar- me na Açociação dos Comunistas Çociais.

Maiz eu não dou pra xeirar, que não é roza!

Açim como o Seu Silvio me introduzil na redassão deste Matutinho, ele vai mi introduzir no Istacionamento da Expoacre e eu vou fazer entrevistas coletivas esclusivas com os fazendeiros.

Eu não entendo do mundo dos negócios, maiz sei que o negócio dos bois é muito importante para alavancar a vida do peçoal do governo.

Só o que o Seu Manso Lima arrecada de istrume em cada Expoacre já serve pra melhorar a vida de gentes mil!

O Seu Orlando do Sebrae já dice que vai me ajudar a vensser e eu vou faze uma barraquinha de vender Dezenvolvimento Sustentável, que é o que Á na economia do Acre. É o Ó, ó!

Eu tambéim não vou para o xou do Seu Reginaldo Rossi, lá no Chalé!

O Seu Zezinho dexhou um convite pra mim na portaria deste Matutinho, mas a Dona Jakie Pinheiro pegou. Axo que ela me aboicota tambéim,sabe?

A concorrência no Jeg- Set é como convenção do PMDB: se alguém vassilar, cortam até o Pinto!

Maiz eu sei que eu vou melhorar de vida, porque fui sondada pelo Seu Tijolinho, o mais rico dos cands. A gov. do Est.

O Seu Tijolinho é uma pedra no caminho do Seu Tião, çabe? E ele dice que vai arranjar um emprego pra mim no comitê da campanha dele.

Com o ispaço que hoje eu tenho neste matutinho já já eu melhoro de vida, nem que me aposente no Tribunal de Contas, o que ceria óóóóóóóóótimo!!

Maiz, pelo menus por enquanto, eu não tenho do que reclamar: arranjei um namorado morto de xique, que mi carrega na garupa toda veiz que eu to no ponto!

Axo que meu corassão xonou xonou!

Brrrrr….nada não,gentes! É o vcento que açopra aqui no Caladinho!

“ Neste corpo meigo e tão pequeno, á uma ispéssi de veneno tão gostoza de provar!”…ai, Reginaldo!

Fuuuuiiii!!

 ANTÔNIO DÀNZICOURT VIRADO O DJANGA EM TARAUACÁ

Fazia pedaço que o Gover no Nabor Júnior se instalara quando bateu em Tarauacá o delegado Antônio D´Anzicourt, cabra tinhoso, que fizera da Polícia Civil a sua própria vida desde os tempos em que o Comissário de Menores era o Herculano e o delegado- geral atendia pelo nome de Tristão.

Antonio, pra obrar era amarrado, temido pelos malcondutas do Rabo -da -Besta à porteira do Bostal, e do Outro Lado.

Quando a Manduquinha fazia zuada e dela descesse o delegado Antonio D‘Anzicourt, pronto: o Diabo virava Zé Lopes!

 Foi por tal fama que ele entrou no teco- teco da Tavaj e foi dar na Foz do Murú, onde já chegou botando mais curto do que pescoço de pacu.
Na primeira de Copa mandou prender a namorada, que o acusara – injustamente- e em público de haver- se embeiçado por uma sirigaita local.
– Mas Dotô, o senhor mandou prender sua mulher?

– A justiça começa em casa! justificou- se, e correu mundo o boato de que ali havia um delegado sem sobrôsso.

Antonio D‘Anzicourt, porém, não dera até então o melhor de si pela sustentação da lei e da ordem na cidade, o que não demorou a fazer quando o ajudante de missa do pároco de Tarauacá mijou fora do pinico e foi recolhido- aos costumes- à carceragem da Especializada.

Depois de passar a noite na Cheirosa, o sacristão recebeu a sacra visita do padre.

– Bom dia, meu filho! Foi dizendo ao delegado.

– Sua bênção, Padre!

– Meu amado filho, o irmão Fulano – este jovem que o senhor, digamos, hospedou na Delegacia esta noite vem a ser o meu coroinha. Rapaz bom, decerto foi alcançado pelo pecado, vindo a cair em tentação e nas mãos da Polícia…

– Um – rum! aquiesceu Antonio D´Anzicourt.

– Mas venho lhe pedir misericórdia, Delegado. Que o senhor possa liberá- lo, para que ele tenha tempo de me ajudar na celebração da Santa Missa ainda esta manhã…

– Sua Santidade vá intercedendo por mim junto a Jesus, Padre,porque, eu ia mesmo solta- lo hoje. No entanto, diante do apelo de Vossa Santidade, agora ele só sai amanhã!

O delegado Antonio D‘Anzicourt ainda atubibou as autoridades e a elite de Tarauacá até ser trazido de volta a Rio Branco, mas não sem dar na testa do fazendeiro e poderoso Antonio Prado, pai do hoje delegado- deputado estadual Walter Prado.

No meio de um forró, o capataz da fazenda do temido ruralista riscou a peixeira na paxiúba, peidou na faca e cagou na bainha, assustando desde o sanfoneiro ao pessoal do sereno.

Dominado pelos meganhas de D‘Anzicourt, a cela da Delegacia de Antonio D‘Anzicourt lhe caiu como um Lexotan. Sarado da Katira, esturrou feito uma canguçu a noite toda, um neném.

Raiado o dia, adentra á carceragem o fazendeiro Antonio Prado, homem respeitado e temido em Tarauacá, um manda – chuva, que nos tempos da ARENA casava e batizava.

– Bom dia, delegado!

– Dia, Seu Antonio!

– Delegado, este homem que o senhor prendeu é meu empregado, trabalha na minha fazenda.

– Pôxa, Seu Antonio Prado! Se eu soubesse que ele era seu funcionário eu teria mandado darem- lhe uma mão de peia,e , se o senhor veio me pedir pra soltá- lo hoje, só por isso vou deixá- lo de molho mais uns dois dias,viu?

E encerrou-se a visita.

 Minidicionário de Acreanês

VIRADO O DJANGA – Valente
PRA OBRAR ERA AMARRADO – Incontrolável
MALCONDUITAS – Deliquentes
RABO-DA- BESTA – Boulevard Augusto Monteiro, no Bairro Quinze
PORTEIRA DO BOSTAL – Rua Seis de Agosto, á altura da Caixa Dágua
MANDUQUINHA – Viatura da Polícia
ZUADA – Barulho
O DIABO VAI VIRAR ZÉ LOPES– Haverá confusão
TECO- TECO – Avião pequeno
TAVAJ – Antiga empresa regional de taxi aéreo
FOZ DO MURÚ – Nome de Tarauacá, antes do Tratado de Petrópolis
MAIS CURTO DO QUE PESCOÇO DE PACÚ – Sob rígido controle
PRIMEIRA DE COPA – Primeira oportunidade
EMBEIÇADO – Enamorado
SIRIGAITA – Mulher fácil
SOBRÔSSO – Medo
MIJOU FORA DO PINICO – Cometeu erro
CHEIROSA – Cela; prisão
ATUBIBOU – Perturbou
DAR NA TESTA – Repreender; confrontar
PEIDOU NA FACA, CAGOU NA  BAINHA – Ficou muito valente
KATIRA – Marca de cachaça que se vendeu no Acre
ESTURROU FEITO UMA CANGUÇÚ – Roncou feito uma onça
CASAVA E BATIZAVA – Mandava
MÃO DE PEIA – Surra; pisa

Assuntos desta notícia


Join the Conversation