Apagões – Clareando o problema

Em linhas gerais poderemos destacar os seguintes problemas em nosso Sistema Elétrico:

a) – Estamos pendurados mais de 500 km em apenas uma linha de distribuição.

Solução: Agilizar a construção do 2º circuito Acre/Rondônia. Verificar em que fase se encontra o licenciamento ambiental da obra que, nesse trecho, por atingir dois estados será dada pelo IBAMA. A Eletronorte já está fazendo o trabalho topográfico e negociando indenizações com propriedades atingidas pelo novo linhão. Porém, sem licença ambiental não tem obra.

b) – A capacidade de transformação – rebaixamento, das 2 subestações (Tangará e São Francisco) está no limite. Os transformadores estão operando com a instalação de “chuveiros” improvisados para baixar a temperatura tal o excesso de carga. A Eletroacre adquiriu mais um transformador para cada subestação. Os mesmos estão em teste, porém, são equipamentos tecnologicamente ultrapassados podendo causar sérios problemas devido a sua incompatibilidade com os sistemas de proteção modernos das subestações. O maior risco é o de freqüentes desligamentos.

Frisamos que estes equipamentos operando por muito tempo nessas condições, em caso de perda total de apenas um deles (atualmente são apenas 2 em cada subestação) , seria uma tragédia já que cada um alimenta grandes área de consumidores e, em sendo equipamentos de grande porte, não existindo nenhum de reserva em nosso Estado…..estaríamos falando de semanas sem energia para 25% do total de consumidores para cada transformador perdido.

Solução: Agilizar o projeto de construção da nova subestação taquari que, apesar da necessária urgência da mesma ainda não tem data certa nem para iniciar.

c )- As 2 máquinas que restaram no parque térmico em nosso Estado – graças as denúncias que fizemos, pois, a Diretoria da Eletronorte já havia aprovado Resolução  para desativá-las e levá-las para Macapá -, em caso de apagão em nosso Estado as mesmas tem capacidade de geração de 34 Megawatts para uma demanda de 110 MW. Portanto 1/3 da geração necessária, mais que garantiriam o fornecimento aos serviços essenciais – SAERB, Hospitais e significativa parcela da população. Porém, essas máquinas necessitam de tensão para entrarem em funcio-namento. Portanto, em caso de ausência total de tensão – apagão, apenas uma pode ser fun-cionada (16 MW) à duras penas utilizando-se uma outra máquina antiga, de funcionamento demorado e incerto.

Solução: Exigir agilidade na aquisição e instalação dos BlackStart – equipamento que faz as vezes de um “motor de partida” das máquinas acionando-as quase que instantaneamente.

d) –  Por força da legislação vigente, todas as subestações rebaixadoras em nosso Estado deverão ser operadas pela Eletroacre. Para tanto os ativos das mesmas já foram transferidas da Eletronorte para a Eletroacre. Ocorre que a Eletroacre não tem mão-de-obra qualificada para operar as referidas instalações e, portanto está temporariamente utilizando os operadores e eletricistas da Eletronorte.

Por questões burocráticas e mais por falta de boa vontade, as empresas alegam dificuldades em justificar juridicamente a manutenção dessa mão-de-obra qualificada já que a Eletronorte não quer continuar pagando empregados para trabalharem para a Eletroacre e esta alega que os salários desses profissionais é muito oneroso.

Resultado; a população corre o risco de ter acrescido aos problemas já existentes no sistema elétrico, mais o perigo de ter as subestações operadas por qualquer empreiteira contratada à dente de cachorro.

Solução: Atualmente não existe mais Eletronorte e Eletroacre, mais sim, Eletrobras-Eletronorte e Eletrobras-Distribuição Acre. Portanto, Exigir que a Eletrobras mantenha o corpo técnico qualificado que ora operam e dão manutenção às subestações principalmente porque os mesmo já estão preparados inclusive para operá-las nas condições limites em que se encontram atualmente.

Enfim. independentemente de multas ou outras ações justas que se fizerem necessárias para botar ordem na casa. As providências acima são urgentes e imprescindíveis a serem tomadas.

* Alberto Fernandes Rodrigues é Técnico da Eletronorte desde 14/07/80 Diretor do Sindicato dos Urbanitários e, Coordenador do Comitê Gestor do Programa Luz Para Todos – Acre.

 

 

 

 

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