Acreanos enfrentam baixas temperaturas

As baixas temperaturas que atingem o Acre nos últimos dias têm servido para se fazer uma análise da atual realidade socioeconômica. Bem pouco tempo atrás, a proximidade de frente fria já era motivo de sofrimento para a grande maioria das famílias nos bairros periféricos. Vivendo em pobreza extrema, muitas padeciam sem ter um agasalho ou abrigo para amenizar o frio.
Frio-1707
Hoje, a realidade é diferente. Não que a miséria tenha sido extirpada por completo da sociedade acreana, mas os efeitos da friagem são bem menores. Essa é a constatação feita por A GAZETA durante visita ontem a alguns bairros da periferia de Rio Branco.

Ao invés de bairros onde veículos pequenos nem mesmo entravam, hoje as comunidades que formam a Baixada da Sobral já contam com vias asfaltadas e com iluminação pública.

Os casebres cobertos com palhas e paredes de madeiras descartadas em construções deram lugar a moradias mais dignas. Em algumas delas até mesmo carros estão na garagem. Antenas parabólicas e de TV por assinatura deixaram de ser utensílios presentes somente nos bairros de classe média e alta para estarem nos quintais da periferia.

Pelas ruas asfaltadas e nas ainda de terra batida, os moradores andam protegidos do frio. No Ayrton Sena, o primeiro a ser atingido pelas cheias anuais do Rio Acre, crianças brincavam de papagaio usando seus conjuntos moletom. Já no Preventório a brincadeira da vez era com a bola. Mesmo suja e bem desgastada, ela ia de um pé para o outro da molecada, que mesmo com o vento frio não deixou de brincar naquela que foi uma das ruas símbolos da Capital: a Rio Grande do Sul.

No passado, a cena comum seria vê-las encolhidas com as pernas dobradas e enfiadas por dentro de blusões maltrapilhos. Fotos estas que estampavam as capas dos jornais. Mas o que explica essa mudança? A principal razão é a melhora da própria economia brasileira.

Depois da década perdida (os anos 80), a seguinte foi de recuperação graças ao controle da inflação e ao Plano Real, que trouxe a estabilidade e o retorno dos investimentos estrangeiros. Após sucessivos governos sem controle, o Acre tentou seguir a locomotiva nacional com a chegada da esquerda – representada pelo PT – ao Governo.

Outro fator essencial: a implantação dos programas de transferência de renda iniciadas no Governo Fernando Henrique Cardoso e aperfeiçoada por Luiz Inácio Lula da Silva. Milhares de famílias ascenderam de classe. De olho nessa fatia de consumidores, o mercado ampliou suas linhas de crédito. Com isso, as famílias de baixa renda passaram a comprar produtos antes que jamais pode-riam ter acesso, como televisores, aparelhos de som e computadores. O resultado de todos esses avanços estão visíveis nos bairros antes símbolos da miséria de um Acre decadente.   

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