Bloqueio gera caos na principal via de entrada de Rio Branco

A principal via de entrada e saída de Rio Branco foi palco de protesto na manhã desta quinta-feira (22). Moradores da Vila Acre e ramais adjacentes bloquearam a rodovia estadual AC- 40 – popular Via Chico Mendes – em reivindicação ao melhoramento na sinalização da pista, que já começa a ser apelidada de corredor da morte.
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A interdição ocorreu no km 10, exatamente no local onde o suboficial da Polícia Militar, José Ricardo Lima, morreu por atropelamento na noite da última terça-feira (20). Circulam informações que, o motorista que deu causa ao acidente dava um “cavalo de pau” quando invadiu a contramão e matou o policial.

De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Ramal Bom Jesus, Ângelo Crisóstomo, só nos últimos três anos foram registradas oito mortes ao longo da rodovia em virtude da ausência de sinalização. Afirma ainda que durante esse período vários ofícios foram encaminhados aos órgãos competentes e nenhuma providência foi adotada.

“Essa foi à forma que nós encontramos de chamar a atenção das autoridades para o nosso problema. Estamos cansados de vê essa rodovia ser coberta com o sangue de inocentes e ficar por isso mesmo”, desabafou.

O morador da Vila Acre, Marcos Antônio, relata que nos últimos anos a pista se transformou em palco de manobras radicais, especialmente racha. Os motoristas imprudentes agem geralmente em horário noturno, protegidos pela ausência de fiscalização.

“Se colocar um radar aqui tenho certeza que não vai registrar velocidade menor que 100k/h”, desafiou. Marcos denuncia ainda a falta de atenção com as crianças que saem da escola. Segundo ele, os motoristas não respeitam as faixas de pedestres e só faltam passar por cima dos alunos.

O mesmo tipo de imprudência ocorre nos finais de semana. Para barrar esse tipo de ação, os moradores reivindicam a colocação de lombadas e sinais de trânsito nas entradas dos ramais. 

Pedaços de madeira em chamas impediam a passagem
O protesto começou por volta das 6h da manhã. Os manifestantes tocaram fogo em pedaços de madeira para evitar a passagem. Não demorou muito para um grande congestionamento se formar. Veículos de todos os portes ficam imóveis por horas.

Entre os retidos pelo protesto estava o superintendente da Polícia Federal no Acre, José Carlos Calazane. Depois de meia hora de conversa com os policiais de trânsito, ele teve a passagem liberada e seguiu viagem até o município de Epitaciolândia, onde foi a trabalho.

A liberação acirrou os ânimos entre os manifestantes. Um policial militar, que também estava de viagem, tentou fazer o mesmo, mas foi impedido. Um motociclista que furou o bloqueio também foi contido pela polícia.

Um senhor que estava num dos carros de passeio, sentido bairro/centro, passou mal e teve a passagem liberada pelos manifestantes. Do lado da Polícia Militar, a tenente Cristiane, conduzia as negociações. Graças a sua intervenção nenhuma ocorrência mais grave foi registrada. Homens do Corpo de Bombeiros deram suporte à PM e evitaram a propagação do fogo.

Estudo vai definir implantação de lombadas e semáforos
O bloqueio na rodovia foi interrompido por volta de 9h40min sobre promessa de uma reunião entre os manifestantes e representantes do Detran e do Deracre. O encontro aconteceu às 11h da manhã. Ficou acertado que um estudo vai definir a implantação de lombadas ao longo da pista e um semáforo na entrada do ramal Bom Jesus.

O levantamento será feito por engenheiros dos dois órgãos e começa a ser realizado na próxima semana. Os manifestante já avisaram: se o acordo não for cumprido, eles voltarão a interditar a rodovia. A idéia é agir de forma preventiva para evitar novas mortes por acidentes.

FOTOS/SABRINA SOARES

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