Construído com apoio do Governo, abrigo da Fazenda da Esperança é inaugurado em Sena Madureira

O Governo do Acre e a Diocese de Rio Branco inauguraram sexta-feira, 2, a Casa Paolino Baldassari, núcleo da Fazenda da Esperança, no Km 5 da BR-364 em Sena Madureira. O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Henrique Corinto, representou o governador Binho Marques. O ato contou ainda com as presenças de Nelson Giovanelli e frei Hans Stapel, respectivamente presidente nacional e fundador da Fazenda da Esperança; os secretário de Estado de Obras Públicas, Eduardo Vieira; o secretário-adjunto de Articulação Institucional, Miguel Félix; o prefeito em exercício de Sena Madureira, Vanderlei Zaire; o bispo dom Joaquín Pertiñez, da Diocese de Rio Branco; lideranças religiosas e políticas do Vale do Iaco.
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A Fazenda da Esperança é uma organização dedicada à recuperação de dependentes químicos com 67 unidades no Brasil e em nove países. Atualmente, cuida de cerca de três mil jovens. As obras da Casa Paolino Baldassari custaram R$ 296.545,87 em recursos próprios do Tesouro Estadual. A estrutura, bastante adequada ao tratamento necessário, contempla quatro quartos, refeitório, sala de multiuso, banheiros e depósito. 

Em Sena Madureira, a Fazenda da Esperança ocupa uma área de 189 hectares às margens da BR-364 (sentido Feijó), sendo que 108 hectares são de mata virgem. “Este governo tem a vocação e a determinação de trabalhar com os movimentos sociais porque pessoas de bem, unidas em um mesmo ideal, podem mudar a sociedade”, disse Henrique Corinto, que recebeu de Nelson Giovanelli um exemplar do livro “Da esquina para o mundo”, que conta a trajetória da Fazenda da Esperança e traz a fotografia de um encontro de Giovanelli com o governador do Estado. Nelson Giovanelli e Frei Heitor foram recebidos em audiência pelo governador Binho Marques quando ambos buscavam apoio para ampliação da Fazenda. Binho aceitou o desafio de ajudar na construção de um abrigo novo, com  melhores condições de acolhimento da pessoa que sofre com as drogas e agora o espaço atual aumenta de 12 para 26 o número de internos.

Nelson Giovaneli se aproximou de um grupo de jovens que consumiam e vendiam drogas perto de sua casa. Isso em 1983, na cidade de Guaratinguetá interior de São Paulo. Ele foi animado a dar esse passo por frei Hans Stapel seu pároco que o incentivava a viver concretamente a Palavra de Deus. “Precisamos de soluções rápidas. Quem está morrendo é a nossa juventude”, disse Hans Stapel, que em suas viagens pelo mundo tem conseguido avaliar “o crescimento assustador” das drogas entre os jovens.

A Fazenda da Esperança começou a partir do trabalho de Nelson Giovaneli, no inte-rior de São Paulo. Ele se aproximou de um grupo de jovens que consumiam e vendiam drogas perto de sua casa. Nelson conquistou a confiança daqueles dependentes químicos. Um deles, Antonio Eleutério, foi o primeiro a ser contagiado e pediu ajuda para se libertar das drogas. Os companheiros de Antonio notaram algo diferente em sua vida, sendo incentivados a tomar semelhante iniciativa, ampliando o número de participantes, familiares e unidades da Fazenda, que hoje se espalha pelo Brasil e o mundo.
A unidade do Acre está buscando meios de subsistência. A alternativa apresentada durante a inauguração foi a fábrica de biscoitos, que irá gerar trabalho e renda para o cuidado com os internos. 

O homenageado padre Paolino não estava presente porque realiza desobriga pelo Rio Chandless. Ele foi um dos que mais lutaram para a implantação da Fazenda da Esperança no Acre.

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Livres da dependência

O testemunho de quem conseguiu recuperação, o trabalho, a disciplina religio-sa são as bases da Fazenda da Esperança. “Fui dependente químico por muitos anos e a Fazenda da Esperança é o divisor de águas na minha vida”, relatou Júlio César, que há cinco saiu do mundo das drogas e hoje atua voluntariamente na organização. “A vida nas drogas é algo que não desejo para o pior inimigo”, disse Vitor Evangelista, que depois de um ano no abrigo irá voltar para a casa da família, em Manaus (AM), onde aos 16 anos se envolveu com substâncias entorpecentes, mas hoje está recuperado. Pela metodologia da Fazenda, o jovem fica um ano internado e depois retorna para o convívio familiar. “Quando se abre uma porta da Fazenda da Esperança fecham-se portas nos presídios e nos hospitais”, disse dom Joaquín Pertiñez, que agradeceu ao governador Binho Marques pelo esforço em construir o abrigo. Cerca de 80% dos que passam pela Fazenda e dão continuidade ao tratamento em grupos de auto-ajuda acabam com a dependência química.  (Agência Acre)

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