Mudanças não são sinal verde para desmatamento, diz Assuero Veronez

O vice-presidente diretor da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), o acreano Assuero Veronez, afirma que as mudanças no texto do Código Florestal, aprovadas semana passada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, não funcionam como licença para o desmatamento da Amazônia. Segundo ele, a legislação ambiental precisa estar adaptada à nova realidade do país.

Assuero afirma que o código, como está, impede os produtores brasileiros de fortalecerem sua produção. Além disso, ressaltou, o desmatamento na Amazônia a cada ano fica a níveis mais baixos. “O desmatamento está hoje em estado terminal”, metaforizou ele.

Assuero apresentou ontem à imprensa a sede da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Acre, no bairro do Bosque. A entidade no Acre tem seu prédio próprio depois de quatro décadas de fundação. Orçada em R$ 3 milhões, a obra foi financiada pela CNA, e sua inauguração será na segunda-feira (19), com a presença da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da confederação nacional.

Além de analisar as propostas de alterações no Código Florestal, Veronez também falou sobre a pecuária acreana. Segundo ele, o grande desafio da atividade hoje no Estado é incrementar a produção sem precisar entrar em novas áreas de floresta.

“Saímos de uma fase em que, para aumentar o número de cabeças, o criador precisava desmatar”, disse ele. Agora, completou, é preciso o uso de tecnologias que possibilitem ganhos de produção dentro das atuais áreas de pastagem. A recuperação de pastagens degradas é uma delas.

De acordo com o vice-presidente, o uso desses mecanismos não podem encarecer os custos da produção, o que tiraria a competitividade da pecuária local. “A alimentação do gado a partir da pastagem natural é o que permite a nossa pecuária não ter tantos custos, possibilitando uma carne barata no mercado”, ponderou.

É essa carne barata no mercado que permite aos acreanos o título de segundo maiores consumidores do alimento no Brasil, perdendo apenas para o Rio Grande do Sul. “O gaúcho come carne no café-da-manhã”, brincou Veronez, numa referência à força da pecuária no Estado sulista. O consumo do acrea-no de carne está ao menos em 42 quilos/ano, superando a média nacional, que é de 97 quilos/anos.  

Quanto às perspectivas do setor para o futuro, Veronez apostou no mercado peruano como destino da produção acreana. Hoje o consumo dos vizinhos não ultrapassa os 2 quilos per capita por ano. “Se conseguirmos aumentar em um quilo esse consumo, serão 30 milhões de quilos a mais”, enfatizou.

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