Pesquisa eleitoral acende a luz vermelha do PV

Sem dúvidas, uma das maiores novidades da atual campanha eleitoral acreana é a candidatura de Marina Silva (PV) à Presidência da República. A participação de uma política do Acre na corrida ao Planalto é um fator que eleva a auto-estima de qualquer eleitor do Estado. No entanto, os números divulgados pela pesquisa do Ibope no começo da semana provocaram alguns questionamentos dentro das hostes verdes.
Partido-Verde
A primeira a manifestar preocupação foi à própria Marina Silva, como revela uma das principais lideranças do Partido Verde no Estado, Dr. Júlio Eduardo (PV). “Foi a Marina que me contou sobre a pesquisa. Ela me ligou e pediu para fazermos uma interpretação dos dados e o que a gente poderia fazer para mudar o perfil. Porque o resultado é o mais incompatível com a nossa realidade. Os governos petistas deram uma contribuição fantástica para o desenvolvimento do Estado e a senadora Marina Silva sempre foi a candidata mais votada em todos os pleitos que participou. Como o candidato do PSDB, José Serra, que tem uma certa dificuldade em respeitar os pleitos do Norte e considera que São Paulo é o centro do mundo, tem uma performance dessas na pesquisa? Acho que essa tendência já existia desde as últimas eleições e não foi mexida. Nós que precisamos nos movimentar para mostrar a importância dos outros candidatos à Presidência aqui no Acre”, avaliou.

Dr. Julinho, que é candidato a primeira suplência ao Senado de Edvaldo Magalhães (PCdoB), fez algumas ponderações sobre a pesquisa. “Para mim, tanto o PV em relação à divulgação da candidatura da Marina Silva quanto o PT com a sua candidata não foram eficazes. O governo petista já fez muito pelo Acre. Marina é muito representativa no Estado. Portanto, a pesquisa mostrou que as nossas campanhas não estão nas ruas”, argumentou.

Com a luz vermelha acesa, Dr. Julinho, revela ações que deverão ser desencadeadas. “Na conversa com a Ma-rina ela nos pediu que planejássemos ações imediatas para reverter esse quadro. Porque numa campanha que não tem os maiores recursos do mundo precisamos criar algumas estruturas básicas. Montar a sede da campanha, criar um núcleo para distribuir material e fazer com que a campanha ganhe a visibilidade em todo o Acre. As ações começarão a acontecer nesse próximo final de semana. Estaremos recebendo material nacio-nal e isso vai ajudar a gente a dar mais visibilidade à candidatura da Marina aqui. Até agora ela só andou pela internet e através de ações espontâneas dos eleitores. Por enquanto, só foi na base do voluntariado”, revelou.

Visita ao Acre
Apesar da apertada agenda de candidata ao Planalto, Marina Silva deverá vir ao Acre em agosto. “Numa campanha num país continental como o Brasil uma candidata como a Marina está com sua agenda densa visitando de cinco a seis cidades por dia. Mas vir ao Acre será uma prioridade mesmo que o nosso eleitorado signifique 0,34% do nacio-nal. Provavelmente, em agosto, além de fazer uma visita aos seus eleitores ela também vai lançar a sua autobiografia. Vai ser um momento rico para recebê-la”, anunciou.

Disputa para o Senado
O membro do Conselho Nacional do PV também analisou os números da pesquisa na disputa para a segunda vaga ao Senado. “O candidato Petecão (PMN), com participação em outros pleitos proporcionais e majoritários, tem a sua campanha colocada na rua há muito tempo. Edvaldo Magalhães começou há poucos meses. Vejo com muito bons olhos os dados que a pesquisa nos informa. O valor da pesquisa não é só a divulgação, mas a possibilidade de podermos estudá-la para que a gente possa determinar os melhores caminhos. Edvaldo já está fazendo isso. Esse perfil me deixa otimista em relação a vitória dele”, afirmou.

Um palanque para duas presidenciáveis
Indagado sobre como está a convivência dos verdes com a sua candidata Marina Silva num palanque que tem também Dilma Rousseff (PT), Dr. Julinho, responde: “cada vez melhor. O Acre, esse laboratório do novo, está fazendo uma coisa que não existe em nenhum outro lugar do país. Aqui nós temos vários partidos defendendo a petista e outros defendendo a Marina Silva. Nós dividimos o espaço de mídia e estamos fazendo materiais de campanha em conjunto. Temos candidatos diferentes, mas não deixamos de ser irmãos”, garantiu.

Outra questão analisada pelo Dr. Julinho se refere ao crescimento do PV no Acre. “Além das vindas da Marina e de Henrique Afonso (PV) temos outro dado importante para o crescimento do partido. O PV, nos últimos dois anos, vem se estruturando de maneira muito competente. A presidência da Shirley Torres foi importante para que a gente tivesse o PV preparado para essa campanha. Aliando os nossos candidatos proporcionais e a visibilidade que a Marina Silva empresta ao PV tenho certeza que tanto na Câmara Federal quanto na Aleac sairemos fortalecidos”, previu.

Quadro político
Dr. Julinho, que já foi por seis meses senador acreano, comentou o momento atual da política. “É preciso entender que a campanha será curta. As ações têm que ser mais planejadas e práticas. No debate com a sociedade é fundamental a gente ver o que contribui para a felicidade e a vida do povo do Acre. Nós temos candidaturas compromissadas com o povo acreano e outras que caíram de pára-quedas. Tanto no campo local quanto nacional tem que haver uma reflexão de como era o Acre antes do governo Lula.

Antes da Marina Silva fazer tanto pela imagem e o respeito que o Acre tem hoje. Esse é o debate que tem que acontecer. No tempo que passei em Brasília coordenei a bancada federal acreana para definir o orçamento federal para o nosso Estado. Posso colocar com certeza que se nós tivermos os três senadores alinhados num mesmo projeto o Acre terá mais recursos. A experiência que vivi no Senado me dá essa certeza. Temos que ter uma bancada no Senado alinhada. Não a do PT ou do PCdoB. Tem que ser senadores do Acre trabalhando pelo Estado”, salientou.

Medicina e política
Como um dos médicos mais respeitados do Estado, o Dr. Julinho, admite que vive uma divisão pessoal entre a política e a medicina. “É uma equação complexa. Mas é possível quando se tem um projeto claro para campo que se atua na sociedade. Tenho certeza que a minha atuação médica que me dá prazer e me dá tantos presentes no dia-a-dia é muito importante para o Acre. Mas tenho certeza que a minha atuação política comprometida com grandes projetos e com a saúde da mulher também é muito importante. Tenho que dimensionar isso. Hoje com o vínculo que tenho com a medicina, ajudando na formação dos alunos da Faculdade de Medicina da Ufac, preciso temperar as duas coisas. Atualmente a minha atuação está mais na medicina, mas nunca deixando de participar dos bons projetos políticos”, finalizou.  

 

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