Espetáculo dos horrores

A sociedade acreana está estarrecida diante o “espetáculo dos horrores” protagonizado neste final de semana por um presidiário em liberdade. Não basta colocar a culpa na legislação brasileira, é necessário admitir as falhas e corrigi-las urgentemente sob pena das vítimas continuarem se multiplicando.
Se as leis não condizem com a realidade do país é porque o “Zé Povim” permite, elegendo parlamentares comprometidos apenas com o próprio umbigo, sem levar em conta os reais interesses da coletividade.

Mas isso por si só não isenta o Estado das suas responsabilidades. Até porque boa vontade e eficiência são institutos distintos, embora devam caminhar sempre juntos. Que a polícia mostrou disposição em resolver o problema é inegável, mas isso não significa dizer que agiu com eficiência, ressalvadas as peculiaridades do caso.

Uma mulher é feita refém dentro da própria casa. Via telefone consegue mobilizar um grande número de autoridades para negociar com o bandido e mesmo assim não consegue sair viva do episódio. Fatalidade? Pode ser. Pura perversidade do assaltante? Também pode ser.

Mas não podemos descartar que o episódio poderia ter tido um desfecho diferente, com a prisão do acusado e o resgate da vítima. É para obter resultados positivos que o governo investe tanto em segurança, em capacitação de pessoal, no preparo especializado para situações como estas.

O Acre, indiscutivelmente, entrou na rota dos crimes pavorosos com este. Notas de pesar e solidariedade aos familiares das vítimas são importantes, mas também não resolvem o problema. O povo quer uma resposta real, concreta. Quer se sentir seguro dentro da própria casa.

Afinal, a invasão a casa da assessora parlamentar Ana Eunice foi aleatória, poderia ter ocorrido na casa de qualquer um cidadão. O diferencial, nesse caso, é que ela ainda teve a chance de gritar por socorro e mobilizar a sociedade em torno do seu caso, o que não se garante que ocorresse em outro caso. Até porque se o pedido de socorro tivesse sido direcionado ao 190 da PM, só Deus sabe se ele teria sido atendido.

É hora do basta. As eleições de 3 de outubro são um bom começo. Afinal, são os deputados e senadores que produzem as leis vigentes no país, tão massacradas quando ocorrem crimes como estes.

* Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

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