Propaganda enganosa

Apesar da propaganda contrária, bolsões de miséria continuam comprimindo Rio Branco por todos os lados. Não é preciso ir muito longe para conferir. Basta abrir os olhos e querer vê.

O bairro Preventório é um bom exemplo. Localizado em pleno Centro da cidade, às margens do Rio Acre. O local mais parece um formigueiro humano em decorrência da quantidade de construções, umas praticamente sobrepostas às outras.

Não bastasse a miséria de seus moradores, o bairro também é apontado como ponto de  tráfico de drogas e prostituição. Não é por acaso, tente fazer uma visitinha por lá e vai descobrir.

Esta semana, o bairro ganhou mais 16 moradores, todos pertencentes a uma mesma família, que deixou o município de Feijó sonhando em vida digna na Capital. Mero engano. Sem ter para onde ir, acabaram alojados na casa de parentes num dos bairros mais miseráveis e perigosos da cidade.

Na Invasão do Amapá, no final do bairro Taquari, não é diferente. Na ausência do poder público, o local virou terra sem lei. Ligações clandestinas conduzem energia aos barracos que não param de se multiplicar. O consumo de água dependente de poços, abertos de forma artesanal.

Mas o triste mesmo é constatar a situação das crianças que vivem nesses locais. Alheias aos perigos que as cercam, perambulam, às vezes semi-nuas, pelas ruas de barro, enquanto seus pais buscam o sustento da família.

Ontem, fiquei estarrecida, ao vê uma dessas crianças em visível estado de embriaguez, após ter sido obrigada a tomar cachaça por um morador da invasão. Revoltada, a mãe chamou a polícia para prender o infrator, que fugiu se livrando do flagrante.

A polícia fez a sua parte, marcou presença e agiu na tentativa de localizar o infrator. Mas não é suficiente, cabe a nós como sociedade comprometida cobrar medidas que ponham a salvo nossas crianças e adolescentes.

Quanto mais miserável uma comunidade, mas atenção ela requer do Poder Público. É nos bolsões de miséria que nossas crianças e adolescentes estão mais vulneráveis a ações dos criminosos. Isso precisa ser combatido.

*Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

 

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