Dois pesos e uma medida

Fiquei surpreso com a divulgação da pesquisa Fieac/Ibope no que se refere à tendência de votos dos acreanos em relação à presidência da República. A vantagem disparada de José Serra (PSDB), com 39%, merece uma reflexão que foge da lógica. Primeiro, que não é todo dia que um Estado como o nosso tem uma candidata ao Planalto. Marina Silva (PV) aparece com apenas 29% de intenções de votos. Muito atrás do tucano. Estranho!

Outra questão é a baixa porcentagem da candidata do presidente Lula (PT), Dilma Rousseff (PT), com magros 16%. A pergunta que não que calar é se os oito anos do governo Lula melhoraram ou não o Acre? Bem, dificilmente um presidente com origem no Centro/Sul do Brasil estaria investindo uma fortuna para a conclusão BR 364 entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Se pensarmos em macro-economia não há lógica em unir um mercado de 400 mil habitantes do Vale do Acre com outro de 150 mil habitantes no Vale do Juruá. Isso através de 653 KM de selva. Mas o presidente Lula aceitou o desafio e liberou recursos para a obra. Aliás, não era essa obra o grande sonho dos acreanos?

Outro investimento pesado foi na Rodovia Transo-ceânica que vai permitir a conexão do Acre com os mercados andinos, da Costa Oeste dos Estados Unidos e da Ásia. O presidente Lula liberou recursos para a sua conclusão e viabilizou a ponte bi-nacional de Assis Brasil.

Recentemente a aprovação da Zona de Processamento de Exportação, justamente para utilizar a logística comercial gerada pelas duas estradas, foi aprovada pelo presidente Lula em tempo recorde. A ZPE é uma possibilidade concreta de atrair novas empresas para o Estado e gerar os empregos na ini-ciativa privada que a população, principalmente, os jovens esperam.

Vamos falar da liberação de recursos para o Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, do Hospital Regional do Juruá, do Hospital da Criança, do novo Pronto-Socorro, do Hospital do Câncer em Construção, da nova Maternidade, etc. Não vou citar programas de inclusão social, profissionalização de mão-de-obra e nem de melhoria de renda. Houve uma grande ampliação de eletrificação rural com o Luz Para Todos. Talvez mereça uma lembrança as 10 mil casas populares que estão em construção. Mas parece que o efeito eleitoral de todas essas obras foram mínimos. 

Uma lembrança: o motivo da grande vitória eleitoral do presidente Lula no Amazonas, em 2006, foi porque o povo amazonense achava que os tucanos pudessem acabar com a Zona Franca de Manaus. Se dizia que o PSDB não vê com bons olhos esse tipo de área comercial com isenção tributária. Será? Uma coisa é certa: a democracia é inquestionável e cada um vota em quem quiser. Não vou subestimar a sabedoria popular. Mas ninguém venha me falar em lógica eleitoral.

* Nelson Liano é jornalista
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