O promissor futuro do Acre

Quando se trata de gestão pública é impossível fazer alguma iniciativa sem contemplar o futuro. Não preciso utilizar jogos di-vinatórios como o tarô ou os búzios para imaginar os rumos do desenvolvimento acrea-no nos próximos anos. Seguindo um raciocínio lógico o Acre tem tudo para fazer uma verdadeira revolução econômica num futuro próximo.

Apesar das críticas de alguns setores da sociedade os investimentos na infra-estrutura do Estado têm sido corretos. É impossível pensar em crescimento sem estradas para o transporte de produtos. O mesmo vale para a energia que é a mola propulsora da economia.

No primeiro caso, a construção da Transoceânica representa a abertura de uma nova porta para a exportação de produtos acreanos. Também a BR-364 possibilitará a integração do Estado e o surgimento de um mercado consumidor interno mais qualificado. Ironicamente, alguém pode me perguntar: mas de quê produtos acreanos estou falando? Acho que só com a perspectiva dessas duas novas rodovias vamos criar um cenário atraente para o surgimento de novas indús-trias. Ninguém iria investir no Acre sem vias terrestres de comunicação com o resto do mundo.    

O quadro já está mudando e quem quiser ficar só reclamando estará perdendo o bonde da história. A aprovação está semana das Zonas de Processa-mento de Exportação (ZPEs), no Acre, colaboram com essa teoria de mudança de cenário e perspectiva. O Estado poderá muito bem produzir componentes para uma indústria eletrônica instalada na Costa Oeste Norte-Americana. A logística da Estrada do Pacífico permite que uma situação como essa, que antes pareceria absurda, venha a se tornar realidade.

Além disso, temos um grande potencial de produtos florestais que não foram explorados devidamente por falta, justamente, de uma logística de produção adequada. Isso poderá mudar com a abertura de novos mercados internacionais. As premissas criadas pela nova infra-estrutura acreana se ampliaram e a tendência será o surgimento de novos negócios capazes de gerarem emprego e renda como é o desejo dos poucos mais de 700 mil acreanos. E o melhor que isso poderá ser possível sem causar um holocausto na nossa floresta.

Quanto à questão energética alguns caminhos ainda precisam ser trilhados. Mas acredito que com um novo quadro econômico as alternativas surgirão. Advogo a criação de um Conselho Ener-gético no Estado para aprofundar estudos sobre todas as possibilidades viáveis para a geração de energia de diferentes fontes matrizes. Os “linhões” ainda me parecem poucos confiáveis a longos prazos. O Acre deve buscar a sua independência nessa questão. 
Em suma, acho melhor trabalhar com premissas positivas do que negativas. Pensar na solução dos inúmeros problemas que temos com a mente aberta para uma visão mais global. Ficar escara-funchando velhas rivalidades e brigas políticas não vai levar ninguém a lugar nenhum. Quem quiser se dar bem como político ou empresário precisa dar um passo ainda mais a frente da nossa realidade em transformação.      

* Nelson Liano é jornalista
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