A jabulani do Felipe Melo

Na noite anterior e momentos antes do fatídico jogo entre Brasil e a Holanda, ainda brinquei com minha editora e meu filho, dizendo tenho uma má notícia: Felipe Melo está recuperado e vai jogar. Torci para queimar a língua e o “batedor” conseguir auxiliar a nossa Canarinho a vaga para as semifinais.

Cada analista e comentarista tentará encontrar um culpado, afinal o futebol brasileiro não pode admitir que o outro estivesse melhor em campo ou que não temos os melhores jogadores do mundo. O meu culpado já encontrei: a jabulani do Felipe Melo.

Dificilmente você vê alguém cair tanto em tão pouco tempo. No passe de craque, para o gol de Robinho, com apenas 10 minutos de bola rolando, Felipe Melo demonstrou qualidade técnica e visão. Eu, mero expectador, virei para o Thiago, meu filho, e brinquei com ele: “queimei a língua”, disse.

Tabelas envolventes, atuações incontestáveis, vontade e garra, foi demonstrado por todos nos primeiros 45 minutos. Depois uma jabulani na área, um gol contra de Felipe Melo (se lembram do herói do primeiro gol?) e tudo mudava. A melhor zaga do mundo batia cabeça, o melhor atacante brasileiro não pegava na bola e um jogo cada vez mais perigoso.

A televisão da Fifa mostra o banco de reserva para tentar mudar e vejo um banco sem talento, sem qualquer jogador que possa fazer a diferença. Essa, claro, foi uma opção do técnico Dunga que, diga-se de passagem, foi um exemplar “cavalheiro” na coletiva após a desclassificação. Adriano, Neymar, Ganso, Ronaldinho Gaúcho, são os principais exemplos dos jogadores relegados ao esquecimento da convocação.

Certo que o jogo continua e uma bela jogada, própria do futebol holandês, consegue virar o jogo. O – antes – herói, Felipe Melo, mostra por que é considerado perigoso pelos analistas esportivos. Deu uma pisada proposital no adversário, demonstrando plenamente o clima entre os jogadores, mas especialmente sua verdadeira personalidade.

Em quatro anos teremos a Copa do Mundo do Brasil e meu medo é que outro técnico retranqueiro, jogadores sem criatividade, venham a representar um país apontado como futebol arte. Chore torcedor brasileiro, mas economize, pois terá que chorar novamente em quatro anos, isso se Dunga e Felipe Melo forem os personagens principais de nossa seleção, novamente.

Ramiro Marcelo é jornalista e cronista esportivo.
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