Atestado de incompetência

O sistema judiciário e o Governo dão um verdadeiro atestado de incompetência quando dão liberdade para criminosos da mais alta periculosidade. Tiram de si uma responsabilidade e passam para o cidadão trabalhador. Alegam falta de condições adequadas para os presos, os mesmos que saem diariamente brutalizando, esquartejando, estuprando e matando afirmando serem vítimas do sistema.

A solução encontrada pelo sistema, para presídios superlotados, é soltá-los na comunidade, sem distinção, sem uma avaliação psicológica, sem um acompanhamento adequado. Até mesmo porque o Governo é incompetente para fazer o acompanhamento dos presos soltos, sejam com mecanismos mecânicos (as pulseiras nos tornozelos deles, que fere suas dignidades) ou humana (pois não temos poli-ciais ou monitores suficientes).

Cada vez mais na cidade você percebe residências que mais se assemelham a quarteis, com muros altos, cabos elétricos, sistema de segurança de última geração. Tira-se do Governo essa obrigação e transfere-se para a sociedade, pela ineficiência encontrada, no sistema, na aplicação e manutenção da lei.
Infelizmente pago duas vezes. A primeira é para o sistema, com impostos caríssimos para aplicar em armas, policiais, carros, mas que pouco se vê. A segunda é tentando dar a segurança para a minha família que deveria ser o meu país, meus governantes, que teriam que ter essa obrigação.

Infelizmente o pequeno Fabrício acabou sendo esquecido. Agora o amigo e colega de profissão Tião Maia perde sua companheira Ana Eunice, por um ato dantesco. Quem será o próximo? Quem irá chorar pelo ente querido? Quem terá sua dignidade esquecida e violada? E o mais importante: quando a justiça, a da Terra, será feita?

Infelizmente, contrariando muitos, na época que a “onça” comia os criminosos, a criminalidade parecia respeitar mais. Talvez fosse porque fossem outros tempos ou apenas tenham evoluído. Quando menino, as brigas eram com as mãos, ou melhor os punhos, na adolescência surgiam os canivetes, agora a selvageria impera. Porque respeitar tanto os direitos de quem não os respeita? A Justiça só funciona para quem tem endereço fixo.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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