Gênio ou louco?

Não vai ser a primeira, muito menos a última vez que o presidente e torcedor Natalino Xavier, comandante do Rio Branco FC, será alvo de espaço jornalístico por uma atitude no mínimo polêmica.

A mais nova atitude do dirigente do clube – sempre com muita paixão, disposto a brigar, se preciso for, com meia torcida acreana, pelo que acredita ser o certo para o Estrelão – que representa o anseio de centenas de milhares de acreanos para chegar a elite do futebol nacional, foi a demissão de quase toda a comissão técnica, inclusive o técnico Tarcísio Pugliese, tido como “objeto de desejo” do Governo (lê-se principal patrocinador) e de grande parte da torcida.

A pergunta que se faz é: “foi a atitude certa? A mudança fará o efeito desejado?”, perguntas que só o tempo poderá responder. Se o Rio Branco conseguir uma arrancada, o principal “salvador da pátria” será, sem dúvida, Natal Xavier. No entanto se Everton Goiano, técnico com passagem pelo Estrelão em 2009 e que conseguiu chegar o mais perto de uma classificação, não conseguir uma reviravolta, para muitos torcedores a lembrança da mudança voltará a tona. Aqui não se questiona a qualidade do técnico Everton, e sim uma mudança num momento crítico como o que o Estrelão passa.

Ainda na criação da “criança”, nós cronistas esportivos cogitamos o alto investimento que o Estrelão estaria fazendo na sua comissão técnica e também de jogadores. A folha de pagamento, uma das maiores da série C, iria estrangular as finanças do clube, era notório, mas só agora é que perceberam.

O Rio Branco FC não carrega o anseio de chegar na série B apenas de sua torcida, mas também da crônica esportiva, de seus governantes e, até mesmo, dos torcedores de equipes adversárias. Ele é um Estado em campo. Na série C, o Estrelão é o Acre, deixando de lado qualquer bairrismo. Nós nos transformamos em torcedores fervorosos, mesmo que durante o Estadual Acreano tenhamos estes mesmos torcedores xingando aquele mesmo escudo.

No dia 8, o torcedor acreano presente no Arena terá que dar o exemplo, mostrar aos paraenses como se torce e porque somos o melhor futebol da região Norte. Deixamos bem claro no último certame da competição nacional. E isso não se mede no tamanho da língua, mas com a bola nos pés de nossos craques e no fundo das redes adversárias.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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