Poluição sonora

Caro leitor, já perceberam que cada vez mais nós temos vizinhos que insistem que temos que ouvir o mesmo que eles estão ouvindo? Sejam vizinhos, sejam lojas, sejam igrejas, carros-de-sons ou simplesmente o sujeito que estaciona o carro próximo e acha que estão abafando com sons ensurdecedores.

Vamos para um esclarecimento. Meus ouvidos não são pinicos, por isso mesmo não sou obrigado a gostar do que vocês gostam. A uma certa altura, incompreensível para a audição humana, o que outrora era bom, seja Legião, Paralamas, Capital, entre outros, se torna “lixo sonoro” a partir de certo volume.
Durante a campanha o que iremos ouvir são os carros-ambulantes, com caixas de sons, disparando para todos os lados, sem respeitar limites de escolas, hospitais ou mesmo delegacias. Impunes a qualquer punição, pois não temos, e nunca tivemos, qualquer fiscalização para isso. Se não fosse desta forma algum de meus inúmeros telefonemas, ou de amigos meus, contra a poluição sonora teria surtido efeito.

Os donos de carros-envenenados (de caixas de sons) insistem em estacionar na frente de residências e provarem para uma minoria surda que conseguem elevar a uma altura que eles próprios não entendem. A briga diária entre os ambulantes de lixo sonoro e as pessoas que no outro dia tem que acordar cedo tem se tornado cada vez mais acirrada. Alguns com promessas mútuas de agressão física ou fatalidade, conforme presenciei no Parque da Maternidade, lá onde existem vários assaltos diários, digo noturnos, digo qualquer hora (exemplo foi na quinta-feira à noite com três assaltos em menos de 1 hora, sem que nenhuma das vítimas fosse dar queixa, afinal é perda de tempo, segundo elas próprio afirmaram).

Quando estivermos mais perto da data de eleições, teremos que conviver diariamente com um verdadeiro “vuvuzelão” pela cidade, obrigando os cidadãos comuns a terem protetores de ouvido contra lixo sonoro. Claro que temos espaço para a democracia, onde cada voto deve ser disputado de forma ordeira, o que a poluição sonora não irá proporcionar. São nos debates, nas apresentações de propostas, no boca-a-boca e no último caso numa vida de exemplo que os eleitores poderão decidir. Mas insisto, não é fazendo do meu ouvido pinico que nenhum candidato irá conseguir meu voto.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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