Revolução já!

Os tempos são outros. Em muitas coisas evoluímos como na tecnologia, na construção civil e no setor automobilístico.

Infelizmente não evoluímos na educação. O ensino de hoje é fraco, muito fraco. Temos muito mais matérias e muito menos conteúdo de qualidade. Temos mais professores e menos ensino.

Meu pai só fez até a quarta série do primário e tinha a letra mais bonita que já vi. Escrevia muito bem. Pontuava muito bem. Tinha um vocabulário riquíssimo e uma concordância verbal invejável. Suas cartas eram um primor!

Fazia cálculos complicados para medir madeiras em pranchas, em toras ou em ripas. Sabia quantos metros cúbicos de madeira uma casa precisava para ser construída de acordo com a sua metragem.

Tudo isso é passado.

Mudaram as pessoas ou mudaram demais o ensino???

A reclamação no Brasil é geral com relação à falta de professores na área das ciências exatas. Faltam professores de química, física e matemática, matérias que, no meu entender, só deveriam ser ministradas para alunos que realmente quisessem atuar em determinados ramos que essas matérias fossem fundamentais como nas engenharias.

É claro que as matérias básicas como português, matemática, ciências, geografia, história, artes, inglês e espanhol devem ser ministradas no primeiro grau mas, a partir do segundo grau, os alunos deveriam estudar as matérias com as quais mais se identificam e tem facilidade para aprender.

Meu pai sabia fazer cálculos só com o que aprendeu até o quarto ano porque se identificava e os aplicava no seu ofício, que foi aprendido com o seu próprio pai, meu avô.

A educação está precisando de uma revolução.

O segundo grau de hoje nem chega aos pés do ginásio do passado.

Numa análise superficial posso dizer que isso se deve ao fato de termos nas salas de aula mais e mais professores concursados, porém sem talento para ministrar uma disciplina.

Podemos começar a revolução fazendo antes do concurso um teste de conhecimento e aptidão. Assim só participariam das provas de seleção pessoas que verdadeiramente amam a profissão de professor e que querem se superar.

Ensinar é um sacerdócio mas muitos, muitos mesmo, fazem o concurso para professor só pelo salário garantido no final do mês. Não adianta tentar formar ou qualificar quem não quer nada com o ensino, quem não tem tesão ou não valoriza a sua profissão.

Para se ter uma idéia do que falo, por ocasião da Copa do Mundo, uma professora recentemente “formada” pelo programa do governo estadual que quer todos os professores com nível superior nas escolas, me perguntou se hexa se escrevia com “ch” ou com “x”. Respondi com “x”.  E ela escreveu no cartaz “exa” sem o “h”.

Desse jeito, não dá mesmo!
 
Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
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