Bullying: esta forma de agressão pode levar ao suicídio

Bullying segundo a Wilkipédia (2010) é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou “valentão”) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agres-soras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.

COMO SE INICIA – Normalmente, um apelido é dado a alguém por um amigo, devido a uma característica única dele. Em alguns casos, o apelido é dado por uma característica que a vítima não quer que seja chamada, como por exemplo: uma verruga ou um sinal em alguma parte do corpo.

É difícil saber se é pior que a vítima conheça ou não o nome pelo qual é chamada. Entretanto, conforme os autores consultados, por vezes uma alcunha pode tornar-se tão embaraçosa que a vítima terá de se mudar de escola e até mesmo residência.

TIPOS DE BULLYING – Dentre os tipos de bullying aqueles que mais se destacam são: a) Físico (bater, pontapear, beliscar, ferir, empurrar, agredir); b) Verbal (apelidos, gozar, insultar); c) Moral (difamar, caluniar, discriminar, tiranizar); d) Sexual (abusar, assediar, insinuar, violar sexualmente); e) Psicológico (intimidar, perseguir, ignorar, aterrorizar, excluir, humilhar); f) Material (roubar, destruir pertences materiais e pessoais); e g) Virtual (insultar, discriminar, difamar, humilhar, ofender por meio da internet e telemóveis).

BULLYING NAS ESCOLAS – Em todos os ambientes onde pessoas se encontram sejam eles: trabalho, família, igreja, estabelecimentos comerciais, hospitais e demais luga-res, acontecem relações interpes-soais. Ocorre que nestas relações, conforme asseguram estudiosos da área há sempre uma pessoa que é considerada ou se considera mais forte que as outras, a qual é tida como supostamente mais forte, então ela busca suas vítimas, através das quais seu domínio será exercido. Assim, uma vez escolhida sua vítima, o agressor irá maltratá-la, visando ridicularizá-la perante seus colegas.

O bullying é caracterizado por atitudes agressivas, intencionais e repetitivas. Segundo matéria publicada na Revista IBOPE (2007), esse comportamento se expressa de formas variadas, porém as mais comuns são: colocar apelidos, zombar, bater e discriminar as pessoas que se encontram em algum estado que expresse infe-rioridade, tanto física como mental. Essa prática atinge aproximadamente 50% dos estudantes de ensino fundamental no Brasil.

CONSEQÜÊNCIAS – Para Regina, Vieira e Lana (2009) as conse-qüências geradas pelo bullying são observadas tanto no agressor, que se torna uma pessoa violenta com atitudes delinqüentes na sociedade, quanto na vítima, que pode se tornar uma pessoa recuada e com dificuldades de socialização. Também é possível observar em alguns casos, o desenvolvimento de sintomas psico-patológicos, distúrbios esses decorrentes na psique que são refletidos no corpo, a exemplo da depressão, perda da auto-estima e estresse. O sintoma psicopatológico mais comum observado é o desenvolvimento da depressão. Esse estado de depressão é pronunciado principalmente na fase de infância e adolescência, muitas vezes a vítima oculta à situação para pais e/ou responsáveis, por isso é importante que a escola observe os comportamentos e se manifeste diante de tal situação.

ALGUMAS PESQUISAS – Em todo o mundo muitos pesquisadores têm direcionado seus estudos para esse fenômeno, tanto pelo seu crescimento, quanto por atingir faixas etárias, cada vez mais baixas, relativas aos primeiros anos de escolaridade.
No Brasil, como reflexo dos trabalhos europeus, ABRAPIA (2010) enumera alguns estudos sobre bullying realizados no ambiente escolar quais sejam:

a) O trabalho realizado por Canfield e colaboradores (1997), em que as autoras procuraram observar os comportamentos agressivos apresentados pelas crianças em quatro escolas de ensino público em Santa Maria (RS), usando uma forma adaptada pela própria equipe do questio-nário de Dan Olweus (1989);

b) As pesquisas realizadas por Figueira e Neto (2001), para diagnosticar o bullying em duas Escolas Municipais do Rio de Janeiro, usando uma forma adaptada do modelo de questionário;

c) As pesquisas realizadas por Fante (2002), em escolas municipais do interior paulista, visando ao combate e à redução de comportamentos agressivos.

ATENÇÃO! – Considerando que as faixas etárias atingidas estão cada vez mais baixas, a exemplo das crianças dos primeiros anos da esco-larização; considerando ainda, que alguns casos apresentam desfechos graves, especialistas afirmam que o fenômeno tem despertado a preocupação por parte das autoridades.

Com base em estudo realizado na cidade do Rio de Janeiro, os mesmos estudiosos asseguram que o fenômeno está disseminado por todas as classes sociais, com tendência para o aumento rápido desse comportamento com o avanço da idade dos alunos. Neste caso, as conseqüências podem ser angústia, baixa auto-estima, estresse, depressão, absentismo ou evasão escolar, além de outras atitudes, a exemplo do autoflagelo e do suicídio. Quanto aos autores dessa prática, estes podem adotar comportamentos de risco, atitudes delinqüentes ou criminosas e acabar tornando-se adultos violentos.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac e atua na área de Saúde Mental. Coordenadora Operacional do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

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