Muito barulho por nada

Parafraseando William  Shakespeare estão fazendo muito barulho por nada na questão das pesquisas eleitorais para a presidência no Acre. O fato do Estado ter uma candidata à presidência, Marina Silva (PV), transformou os números das pesquisas em assunto da mídia nacional. Até o presidente Lula se incomodou com o resultado. Mas quem conhece e acompanha o dia-a-dia da política acreana sabe que os números refletem a divisão das forças políticas no Acre revelado nas mais recentes eleições.

A oposição deve ter entre 30% e 40% de intenções de votos. A situação poderá variar entre 60% e 70%. Na questão nacional o fator Marina Silva alterou o desempenho que a candidata governista Dilma Rousseff (PT) teria por aqui. Pode ter a certeza que a candidata verde é ainda identificada pela maioria da população acreana como a candidata da Frente Popular pela recente memória eleitoral. Por isso, José Serra (PSDB) tem 38% das intenções de votos, Marina 34% e Dilma 16%. Se somarmos os números das duas candidatas teremos 50% das intenções de votos para as candidaturas de esquerda.

O que intriga a mídia nacional é o fato de Dilma ter 16% e o candidato ao governo do mesmo partido, Tião Viana (PT), 63%. Aparentemente é um paradoxo, mas na realidade não é. Primeiro porque o candidato tucano, Tião Bocalom (PSDB), que aparece com 21%, não conseguiu unir de fato as oposições. A retirada da candidatura de Rodrigo Pinto (PMDB) ao governo deixou seqüelas irreparáveis. Se o jovem peemedebista ainda estivesse no páreo à tendência natural de votos oposicionistas teria aparecido nas pesquisas. Bocalom e Pinto deveriam ter juntos, nesse momento, entre 30% e 40%. Conheço muitos peemedebistas que se frustraram com a não ida do 15 para as ruas. Inclusive, alguns prefeitos do PMDB estariam mais envolvidos na disputa eleitoral com posições claras de oposição, o que não está acontecendo.

A questão é que a candidatura Serra está cristalizada desde o período pré-eleitoral. Ao contrário das candidaturas majoritárias de oposição no Estado que sofreram vários solavancos. Portanto, os 38% do presidenciável tucano são exatamente o número de votos oposicionistas que temos nesse momento. Na minha opinião, a tendência é que esses números sofram poucas alterações. Mesmo com todo o empenho das lideranças da FPA para alavancar a candidatura de Dilma no Acre a variação do Serra não deverá ser maior que 5%. Um reflexo exato das forças políticas acreanas. Claro que num eventual segundo turno entre Dilma e Serra as coisas seriam diferentes. Aí sim o presidente Lula poderia cobrar um resultado mais compatível com a grande ajuda que deu ao Estado.

Bocalom ainda deverá crescer durante a campanha depois de passados os traumas das articulações pré-eleitorais. Mas não vejo possibilidades reais de chegar a incomodar a liderança folgada de Tião Viana. Ainda que no futebol e na política tudo seja possível. No entanto, fica difícil imaginar uma reviravolta histórica no quadro eleitoral acreano. Para isso acontecer, a oposição terá que apresentar nos programas de rádio e TV um projeto de governo que transmita segurança ao eleitorado. O ex-prefeito de Acrelândia, Bocalom, terá ainda que vencer com folga os debates na TV com Tião Viana, que tem a experiência de 12 anos como senador de destaque no quadro político nacional.

A disputa do Senado
Por outro lado, os 64% de intenções de votos de Jorge Viana (PT) lhe conferem uma liderança tranqüila na corrida ao Senado. Deverá ser proporcionalmente um dos mais votados do Brasil. Mas a disputa da segunda vaga deverá ser renhida. Edvaldo Magalhães (PC do B) terá que apostar no casamento dos seus votos com os do ex-governador. Porque a tendência é que Sérgio Petecão (PMN) tenha uma porcentagem de votos próximos aos números atuais de Serra, ou seja 38%.

Mas como são duas vagas a matemática é um pouco mais complexa. Teremos um universo de 200% e não de apenas 100%. Se a maioria dos votos ao Senado da FPA forem “casados”, Edvaldo poderá ultrapassar os 50%. Na última pesquisa Petecão tinha 35% e Edvaldo 27%. Reparem como os números do candidato oposicionista ao Senado estão próximos aos do Serra. Nesse caso, será o andamento da campanha que vai determinar o resultado.

Quero deixar claro que é apenas a minha opinião como analista político do quadro eleitoral atual revelado pelas duas pesquisas do Ibope. Nós entraremos a partir do dia 17 de agosto, quando começa a propaganda gratuita de rádio e TV, no período mais aquecido da campanha. Portanto, o desenrolar dos fatos podem perfeitamente mudar qualquer prognóstico. É óbvio que o resultado verdadeiro decidido pelos eleitores só aparecerá depois que os votos estiverem nas urnas.

 

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