O que é isso, Gabeira?

Estou chocado com o comportamento político do candidato verde ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira. Pode parecer estranho escrever um artigo sobre isso estando no Acre. Mas tem dois pontos importantes que quero destacar: Primeiro que a candidata verde à presidência é a acreana Marina Silva. Segundo que o comportamento de Gabeira nessas eleições reflete uma falta de compromisso e coerência com a sua trajetória de vida.

Comecei a minha carreira de jornalista justamente na época da Abertura Democrática no Brasil. Era um “foca” quando o Gabeira chegou do exílio e foi recebido no Rio como um herói da resistência contra a Ditadura Militar. Li os primeiros livros escritos pelo Gabeira, como O Que É Isso Companheiro?, que se tornaram grandes Best Sellers. Depois, por obra do destino, tive a oportunidade de participar da edição de uma das suas publicações.

Quando o Gabeira resolveu entrar definitivamente na política como candidato a governador, prefeito e presidente da República sempre o apoiei pela sua irreverência e criatividade nas suas propostas. Lembro-me de uma eleição para prefeito do Rio quando os verdes promoveram um grande abraço na Lagoa Rodrigo de Freitas que mobilizou milhares de jovens cariocas. Foi um momento emocionante que mostrou uma maneira diferente de fazer uma campanha política sem precisar de rios de dinheiro.

Gabeira foi um dos fundadores do PV. Depois foi para o PT e voltou de novo para o PV. Agora, preocupado em chegar ao poder desfila com o presidenciável Serra (PSDB) pela periferia do Rio de Janeiro. E pior, com o vice, Índio da Costa (DEM), que acha que aqueles que resistiram à Ditadura são terroristas, como é o caso do Gabeira. O que é isso companheiro? Será que o Gabeira esqueceu que a candidata à presidência dos verdes é a Marina Silva?

Aliás, a Marina está fazendo uma campanha ao velho estilo do Gabeira com mais mobilização social do que dinheiro. Enquanto, o próprio Gabeira rasteja atrás do Serra e do Índio em busca de recursos para uma campanha milionária. Para o Gabeira, uma lembrança da música do Cazuza: “Os meus sonhos foram todos vendidos, tão baratos que nem eu acredito…” Já dizia Caetano Veloso: “Política é o fim”. 

* Nelson Liano é jornalista
[email protected] – twitter.com/NelsonLiano        

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