A vaginose bacteriana causa um odor desagradável principalmente durante as relações sexuais

Vulvovaginite é o acometimento infeccioso e/ou inflamatório da vulva e vagina. Os processos inflamatórios que acometem vulva e vagina chegam a representar um terço das consultas em consultórios de ginecologia.

As vulvovaginites podem ser causadas por bactérias (vaginose bacteriana), por fungos (vulvova-ginite fúngica), por protozoários (vulvovaginite por trichomonas) e por associações de microrganismos (vulvovaginites mistas). Entre estas, uma das mais freqüentes é a vaginose bacteriana.

A vaginose bacteriana é provocada por uma bactéria Gardnerella vaginalis ou por outras bactérias. Causa um odor desagradável principalmente durante a menstruação e nas relações sexuais. Alguns autores entendem que a vaginose não é uma doença sexualmente transmissível, mesmo assim indicam que o tratamento a base de antibióticos deve ser estendido ao parceiro sexual.

Pode ser diagnosticada pelo exame clínico, exames de laboratório e papanicolau. Também pode ser diagnosticada por um teste químico realizado no próprio consultório médico.

SINTOMATOLOGIA – A vaginose bacteriana clinicamente apresenta corrimento branco acin-zentado de odor fétido e podendo a paciente experimentar desconforto vaginal discreto. A confirmação é feita pelo exame com hidróxido de potássio 10%, que em contato com a secreção exala odor fétido (teste de Whiff), ao microscópio mostra as células guias, o ph vaginal é alcalino (igual ou maior que cinco) e na bacterioscopia revela escassez ou ausência dos bacilos de Döderlein.

CARACTERÍSTICAS – A vulvovaginite fúngica se caracteriza por corrimento branco espesso, com prurido (coceira) e reação inflamatória intensos.

O exame com hidróxido de potássio mostra a presença de hifas, o ph é ácido e, quando necessário, realiza-se a confirmação pelo crescimento de fungos em culturas com meios específicos de Nicholson ou de Sabouraud.

TRATAMENTO – O objetivo do tratamento é erradicar as bactérias patogênicas do meio vaginal e assim restaurar a flora vaginal fisiológica.

O tratamento das diversas formas de vulvovaginites, geralmente inicia-se com a consideração e correção dos fatores predisponentes, e os mais importantes, comumente estão relacionados com as seguintes recorrências: diabetes mellitus, ingestão de esteróides sexuais, uso de dispositivo intra-uterino, práticas sexuais não conven-cionais, roupas íntimas inadequadas, a exemplo daquelas confeccionadas com fios sintéticos, hábitos de higiene inadequados, doenças que comprometem as condições gerais de saúde, imunossupressão, antibioticoterapia e outros menos freqüentes.

Também devem ser adotadas medidas gerais, as quais são indi-cadas para as diferentes infecções vaginais, tais como: abstinência sexual, uso oral de anti-histamínicos, higiene genital adequada, cuidado especial com as roupas íntimas e com os antiinflamatórios não hormonais por via oral.

Vale lembrar que todos estes cuidados auxiliam na melhora do processo inflamatório e das manifestações clínicas, facilitando a cura.

Devido ao tratamento nem sempre correto ou por alterações primárias do meio vaginal esta forma de infecção costuma ter elevados índices de recorrência.

PREVENÇÃO – A única forma de se prevenir a dispersão das doenças sexualmente transmitidas é através da localização dos indivíduos que tiveram contato sexual com pessoas infectadas e determinar se estes também necessitam tratamento.

Considerando que localizar a todos, é bastante difícil, especialmente porque nem todos os casos são reportados, especialistas indicam alguns cuidados simples além de ajudar na redução do risco de desequilíbrio do balanço natural da vagina, também evitam o desenvolvimento da vaginose bacteriana: 
a) Use camisinha durante as relações sexuais;

b) Evite o uso das “duchinhas” e dos bidês, pois são locais onde há acúmulo de microorganismos em função da má higiene;

c) Siga o tratamento prescrito pelo seu médico até o fim, mesmo que os sintomas desapareçam antes do término da medicação;

d) Limpe a vagina sempre no sentido da parte da frente para trás e não de trás para frente.

IMPORTANTE – A vaginose bacteriana é provavelmente a causa mais comum de vaginite em mulheres em idade fértil. Muitos casos de vaginose bacteriana são assintomáticos ou apresentam corrimento vaginal com odor fétido sem características inflamatórias.

Quando sintomáticas, as mulheres queixam-se de um corrimento fétido e copioso. O odor de peixe pode ser mais perceptível durante a menstruação ou após uma relação sexual, quando o ph alto do sangue ou sêmem volatiliza as aminas.

A vaginose ocorre com maior frequência em mulheres com vida sexual ativa, podendo também acometer crianças e mulheres virgens.

Não é considerada uma doença sexualmente transmissível por alguns especialistas, uma vez que algumas dessas bactérias podem ser encontradas habitualmente no ser humano. Mas, a transmissão ocorre também pelo contato íntimo ou relação sexual.

Caso sejam percebidos os sintomas de vaginose bacteriana, a pessoa acometida deve procurar o médico, de preferência que seja o ginecologista.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre/Ufac. E-mail: [email protected]

** Daiana de Freitas Ferreira é acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Educacional do Norte – Uninorte.

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