A terra não é plana

Em artigo intitulado “Vote 77: diga Não. A Terra não é plana”, o  engenheiro florestal  Écio Rodrigues, doutorado em desenvolvimento sustentável, expôs, pela internet, alguns elementos básicos de geografia, que parecem ter sido esquecidos, ou desrespeitados,  tais como o deslocamento orbital da Terra ao redor do Sol, movimento chamado de Translação e a inclinação do eixo da Terra,  como aspectos físicos a determinar as estações dos anos e o ciclos da natureza.

Segundo aquele professor: “tudo é elíptico, tudo sugere movimento, tudo é cíclico”. E que a diferença do tempo causada pela curvatura da terra levou cientistas do século dezoito a estabelecer, matematicamente, a relação entre espaço geográfico, curvatura e tempo, demarcando as horas, minutos e segundos, para cada localidade, em comparação com um ponto fixo pré-definido, daí as aferições do tempo e os fusos horários.

Ele disse que o município de Cruzeiro do Sul foi o mais penalizado com a mudança aprovada pelo Congresso, porque fica mais perto do fuso horário seguinte, podendo sentir com maior intensidade as mudanças em seu modo de vida.

Em 1500 era natural que as pessoas pensassem que a Terra fosse plana e que o Sol girasse ao redor da mesma, porque isso é visível a olho nu e todos nós sentimos a terra como se estivesse parada e o Sol, ao contrário, sempre em movimento.

Com a invenção de instrumentos tais como telescópio foi possível superar essa visão primária e demonstrar não só que a terra é redonda, mas que se move na órbita do Sol e em volta de si mesma. Mesmo assim, alguns cientistas foram queimados vivos na fogueira como Giordano Bruno, porque a Igreja Católica, hegemônica naquele período, não tolerava que se questionasse a sua autoridade  julgando e sentenciando os cientistas como se eles fossem hereges determinados a se apropriar de conhecimentos impróprios para os homens.

Por isso, decisões políticas que vão de encontro ao conhecimento científico devem ser vistas como um retrocesso e não um avanço como querem fazer parecer nas propagandas oficiais em prol do novo fuso horário. Vimos que um senador cientista foi de encontro aos seus próprios pares – os cientistas dos outros campos como a geografia – em benefício de grupos que nem moram aqui.

Em geral, as pessoas focalizam uma linha imaginária no tempo, demarcada pelo progresso, sensivelmente notável, em razão das inovações tecnológicas, seqüenciadas: o telégrafo, o telefone fixo, o celular; o rádio, a televisão em preto-e-branco, a televisão a cores; a iluminação à gás, depois a eletricidade; a locomotiva a vapor e por ultimo o trem bala, os metrôs e assim por diante. É um modo de capturar a passagem do tempo dentro de uma ordem cronológica, incluindo outros acontecimentos importantes como guerras, revoluções, golpes de Estado, etc.

Acontece que os grandes acontecimentos da história do mundo e do país – aqueles que mudaram o curso das coisas – só foram percebidos por poucos, aqueles que têm acesso à cultura através de uma educação de qualidade, formal ou informal.

Esses poucos conseguem ler e analisar os acontecimentos da atualidade de forma compreensível porque seus horizontes são mais alargados.

De modo que uma minoria consegue se situar no tempo e no espaço, com base em eventos significativos dos quais teve noticia, acesso ao registro histórico, enquanto que uma maioria passa ao largo, morando ainda dentro da caverna de Platão. Assim, fica mais fácil manipulá-la, como ocorre de forma flagrante na propaganda oficial veiculada pelas emissoras de TV, quando alguns jovens afirmam que a mudança de horária “beneficia a juventude”.

Parece típico de países cuja ocupação territorial foi feita de modo bastante desigual, com alta concentração de terras cultiváveis nas mãos de poucos, a formação de governos do tipo oligárquico que são exercidos sempre em benefício de determinados grupos em prejuízo da maioria. Isso não foi explicado para aqueles jovens por seus professores de História.

Não foi dito àqueles jovens que no Congresso, um terço dos parlamentares foi eleito com dinheiro das empreiteiras, um terço com dinheiro dos bancos e do sistema financeiro, que não estão preocupados com oferta de empregos para essa juventude que corre para fazer faculdade, aqui em Rio Branco, sem que exista mercado de trabalho condizente.

Também não lhes foi dito que os lucros do Bradesco fazem inveja aos banqueiros suíços, que o sucesso do Lula decorre das políticas sociais por um lado e do outro porque deixa os banqueiros em situação extremamente confortável.

E ainda não lhes foi explicado que a mudança de horário decorreu de uma decisão arbitrária que não levou em conta os interesses da grande maioria, numa contradição flagrante com o discurso do partido da situação que propaga a participação democrática em seus discursos. Seus professores falharam em não demonstrar o modus operandi  das oligarquias em nosso país, em especial nas regiões Norte e Nordeste.

Oligarquia é governo de poucas pessoas. Ocorre quando um pequeno grupo de pessoas de uma família, de um grupo econômico, ou de um partido, governa o país, o estado ou o município e os seus interesses políticos e econômicos prevalecem sobre os da maioria. Existem as oligarquias partidárias quando há domínio de um partido por um grupo específico.

Para os gregos é a reunião dos seguintes ingredientes:   governo de poucos;  riqueza de poucos;  nepotismo; exercício de governo sem atentar para os interesses da maioria. Para eles, o termo oligarquia tinha uma conotação pejorativa: “governos viciados, impuros e nocivos”.

Para Gaetano Mosca: é “domínio de uma minoria organizada sobre uma maioria desorganizada”. Neste caso, existe o pressuposto de que quando a maioria se organiza a oligarquia cai.

Votar no 77 é um modo de expressar o desejo de que o modo de vida de um povo em seu território deve prevalecer, vir em primeiro lugar em vez dos lucros dos banqueiros.

 

 

 

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