Catapora: já foram registrados 12 mil casos este ano

A varicela (também conhecida no Brasil como catapora) é uma doença infecciosa causada pelo vírus Varicela-Zoster.  Antes do advento da vacina era considerada uma das enfermidades mais comuns da infância. A transmissão ocorre por contato direto através da saliva ou secreções respiratórias da pessoa infec-tada ou por contato com o líquido do interior das vesículas.

Autores afirmam que, uma vez adquirido o vírus, a pessoa fica imune por toda a vida. Contudo, ele permanecerá no organismo podendo provocar posteriormente, uma doença conhecida como Herpes-Zoster, ou cobreiro.

Conforme indicam os especialistas da área a zóster é uma doença da velhice, uma forma reincidente tardia dos vírus da varicela que permanece dormente nos gânglios nervosos. A varicela é quase exclusivamente uma doença de crianças, enquanto a zóster é uma doença de idosos. A transmissão do vírus de idosos com zóster para crianças que depois desenvolvem varicela é uma importante via de infecção.

No entender de Mandel (2010) todas as pessoas que tiveram catapora correm o risco de desenvolver o zoster. Existe uma vacina, administrada aos 60 anos de idade, que previne a crise ou suaviza muito os seus sintomas. Ela ajuda a reduzir a incidência da dor persistente pós-zoster. Essa vacina ainda não está disponível no Brasil e a previsão para sua chegada seria 2010.

SINTOMAS  – Os sintomas da catapora em geral começam entre 10 e 21 dias após a infecção, geralmente com dor de cabeça leve, febre moderada e sensação de mal-estar.

Em um período não superior a 48 horas, surgem lesões de pele caracterizadas por manchas aver-melhadas, que dão lugar a pequenas bolhas ou vesículas cheias de líquido, sobre as quais, posteriormente, se formarão crostas que provocam muita coceira. A recuperação completa ocorre entre sete e dez dias depois do aparecimento dos sintomas.

CUIDADOS LOCAIS – Mesmo não havendo comprovação científica de que o uso de banhos com permanga-nato de potássio ou soluções ioda-das, estas substâncias são comu-mente aconselhados para aliviar a coceira e cicatrizar rapidamente as feridas. Mas é preciso atenção, pois tal prática pode inclusive resultar em danos, incluindo queimaduras e reações alérgicas.

Pesquisadores da área assinalam que a coceira pode ser atenuada com banhos e compressas frias e com a aplicação de soluções líquidas contendo cânfora, mentol ou óxido de zinco. Em casos mais graves, comumente são utilizados alguns tipos de medicamentos, os quais só devem ser usados com indicação médica.

Entre os cuidados sugeridos aconselham-se que durante o período de infecção, deve-se manter os pacientes sempre com as unhas aparadas e limpas, evitar o contato com pessoas com baixa capacidade de defesa, usar roupas leves, para evitar calor e aliviar as coceiras, usar luvas na hora de dormir, e evitar ao máximo coçar a varicela, porque marcas podem ficar para sempre no corpo.

TRATAMENTO – O tratamento visa basicamente a aliviar os sintomas. Como outras doenças transmitidas por vírus, Varella (2010) assegura que não há muito a ser feito. O importante é evitar a contaminação das lesões por bactérias, o que complica o quadro. Não coçar as feridas diminui o risco de infecções e a formação de cicatrizes. Adultos ou pessoas debilitadas, que se contaminem com o vírus da catapora, requerem cuidados especiais.

VACINAÇÃO  – A vacina contra a varicela foi desenvolvida no Japão no início dos anos 70, mas somente em meados da década de 90 passou a ser mais amplamente utilizada nos países ocidentais. 

Castiñeiras, Luciana e Martins (2010) relatam que no Brasil, a vacina ainda não faz parte do Calendário Básico definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), não estando disponível nos Centros Municipais de Saúde para uso geral, mas pode ser encontrada na rede privada. Na rede pública está disponível apenas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), exclusivamente com indicação médica, para vacinação de susceptíveis (não imunes) que sejam contactantes domiciliares ou hospitalares de imunodeficientes também susceptíveis à doença e  para os indivíduos não imunes candidatos a transplante de órgãos.

Ainda no entender dos mesmos autores, a vacina também está disponível nos Crie para  indivíduos susceptíveis com deficiências imunoló-gicas, em circunstâncias restritas e bem estabelecidas, incluindo tumores sólidos ou leucemia linfocítica aguda em remissão, sem radioterapia, pessoas infectadas pelo HIV assintomáticas e para bloqueio de surtos hospitalares.

IMPORTANTE – De acordo com Burguesa (2010), algumas recomendações são de grande importância, quais sejam:
* Vacine seu filho/a contra a catapora no primeiro ano de vida. Embora geralmente seja uma doença benigna, os sintomas são muito desagradáveis;
* Procure evitar contato direto com pessoas doentes;
* Não deixe a criança coçar as lesões para evitar infecções por bactérias. Não é tarefa fácil, porque a coceira é intensa;
* Não arranque as crostas que se formam quando as vesículas regridem;
* Mantenha o paciente em repouso enquanto tiver febre;
* Ofereça-lhe alimentos leves e muito líquidos.
* Procure sempre o médico antes de tomar qualquer remédio.
ATENÇÃO – Matéria veiculada na imprensa dá conta de que o Ministério da Saúde registrou do início do ano até esse mês de setembro mais de 12 mil casos de catapora. Tal situação indica ser necessário ter o máximo de atenção para essa doença que parecia ter se erradicado com as vacinas.

* Terezinha de Freitas Fer-reira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coordenadora Operacional do Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública – USP/Ufac.

 

 

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