Vacinação e imunização

Vacinação ou imunização ativa acontece quando uma pessoa é estimulada, por ação de uma vacina, a desenvolver uma defesa contra uma doença infecciosa.

As vacinas protegem milhões de crianças e adultos das doenças que ameaçam suas vidas, incluindo poliomielite (paralisia infantil), tétano, difteria, coqueluche, febre amarela, encefalite japonesa, sarampo, hepatite B, meningite e gripe.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) ao disponibilizar o Calendário de Vacinas de 2009, aproveitou para informar algumas mudanças:

* A principal delas conforme recomendação do Departamento Científico de Infectologia é que a vacina contra a Influenza – um dos principais vírus causadores da gripe – seja dada para crianças de até cinco anos de idade. Até 2008 a vacina estava indicada até os dois anos, mas de acordo com Berezin (2009), esta foi ampliada porque os dados apontam que a infecção pode ser mais prevalente até os cinco.
* Considerando que a maioria das vacinas para adolescentes são complementos das aplicadas nas crianças, também houve a fusão dos dois calendários. A seguir as principais vacinas:

VACINA BCG
Aplicada em dose única exceto para comunicantes domiciliares de hanseníase, independente da forma clínica, quando a segunda dose pode ser aplicada com intervalo mínimo de seis meses após a primeira dose.

POLIOMIELITE
A vacina inativada contra poliomie-lite (VIP) deve substituir a vacina oral (VOP) em todas as doses, preferencialmente nas duas primeiras doses. A VOP pode ser dada nos Dias Nacionais de Vacinação, preferencialmente após as duas doses iniciais de VIP.

GRIPE (INFLUENZA)
A vacina contra Influenza está recomendada dos seis meses aos cinco anos para todas as crianças. A partir daí, passa a ser indicada para grupos de maior risco, como pessoas que tem asma e outras doenças de base, conforme indicação do CRIEs (Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais), e contatos de grupos de risco, incluindo pessoas com mais de seis meses que convivem com crianças menores de cinco anos de idade, para evitar o risco de transmissão a esses grupos.

A primovacinação de crianças com idade inferior a nove anos deve ser feita com duas doses com intervalo de um mês. A dose para aqueles com idade entre seis meses e 36 meses é de 0,25mL e depois dos três anos de idade é de 0,5 mL / dose.

A partir dos nove anos é administrada apenas uma dose (0,5 mL) anualmente. A doença é sazonal e a vacina é indicada nos meses de maior prevalência da gripe, estando disponível apenas nessa época do ano, sendo desejável a sua aplicação nos meses que antecedem o inverno.

A dose de reforço no primeiro ano de vacinação é fundamental para garantir a proteção; caso o reforço não tenha sido realizado no primeiro ano, é necessário no próximo ano dar duas doses com intervalo de um mês.

FEBRE AMARELA
A vacina contra febre amarela está indicada para os residentes de áreas endêmicas. A aplicação desta vacina deve ser feita a partir dos nove meses. Viajantes para áreas endêmicas devem receber a vacina com no mínimo 10 dias de antecedência da viagem (em território nacional ou internacional), lembrando que os reforços são feitos a cada 10 anos;

SARAMPO, CAXUMBA E RUBÉOLA
A primeira dose da SCR (contra sarampo, caxumba e rubéola) pode ser aplicada aos 12 meses de idade. A segunda dose pode ser aplicada dos quatro aos seis anos, ou nas campanhas de seguimento. Todas as crianças e adolescentes devem receber ou ter recebido duas doses de SCR, com intervalo mínimo de um mês. Não é necessário aplicar mais de duas doses.

HEPATITE A
Recomendada para todas as crianças a partir dos 12 meses. A vacina contra hepatite A é indicada como profilaxia pós-exposição para indivíduos suscetíveis com idade entre um e 40 anos, em substituição ao uso de imunoglobulina, desde que administrada até, no máximo, duas semanas após o contato com caso índice.

Crianças e adolescentes não vacinados previamente contra hepatite A e B podem receber a vacina combinada A+B na primovacinação, no esquema de três doses.

HEPATITE B
A vacina contra hepatite B deve ser aplicada nas primeiras 12 horas de vida. A segunda dose pode ser feita com um ou dois meses de vida.
Crianças com peso de nascimento igual ou inferior a 2 Kg ou com menos de 33 semanas de vida devem receber quatro doses da vacina (esquema 0, 1, 2 e 6 meses): 1ª dose ao nascer, 2ª dose um mês após, 3ª dose um mês após a 2ª dose, 4ª dose, 6 meses após a 1ª dose.

Crianças e adolescentes não vacinados no esquema anterior devem receber a vacina no esquema 0, 1, 6 meses; a vacina combinada A+B pode ser utilizada na primovacinação desses indivíduos e o esquema deve ser completado com a mesma vacina (combinada).

HPV
Existem duas vacinas diferentes disponíveis no mercado contra o HPV (papilomavírus humano) administradas em 3 doses a partir de 9-10 anos de idade, de acordo com o fabricante.

DÚVIDAS NA CONTRA-INDICAÇÃO
A crença popular leva muita gente a acreditar que a vacina não pode ser tomada em algumas situações, o que é falso na opinião da maioria dos autores consultados.  Assim, os mesmos autores assinalam que não está contra-indicada a vacinação nas seguintes situações: diarréia sem manifestação sistêmica; fase de convalescença; tratamento com antibiótico; reação prévia à vacina com vermelhidão, dor, edema local e febre moderada; prematuridade; gravidez materna; exposição à doença infecciosa; amamentação; e desnutrição.

Referência
Manual dos CRIEs – Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais. Disponível em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/livro_cries_3ed.pdf. Acesso em 04 de outubro de 2010.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – UFAC.

* Daiana de Freitas Ferreira é acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da União Educacional do Norte – Uninorte.

 

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