Política nacional 21/10/2010

“Não foi uma manifestação espontânea, nem de longe”.

José Serra, candidato do PSDB a presidente, sobre o tumulto de ontem, no Rio.

Governo assedia políticos que apoiam Serra
Aordem do presidente Lula, transmitida aos ministros, é total prioridade aos pedidos de governadores, senadores e deputados aliados, que foram eleitos ou reeleitos em 3 de outubro. Todos estão empenhados em assediar políticos “desgarrados” da base governista, a maioria do PMDB, que apóiam a candidatura de José Serra. Alguns ministros cancelaram a agenda de trabalho para negociar cargos e a assumir o compromisso de liberar emendas parlamentares ainda este ano.

Os ‘desgarrados’
Os alvos do assédio são políticos de partidos que apóiam Lula, como o senador eleito Luiz Henrique (PMDB-SC) e outros do PR, RS e MS.

Olho-no-olho
Nesta quinta, o vice de Dilma, Michel Temer, chega a Campo Grande para um “tetê-a-tête” com o “desgarrado” governador André Puccinelli.

QG do assédio
O assédio a aliados de Serra tem a chancela de Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e da Casa Civil, que falam em nome de Lula.

Estado maior
A estratégia foi definida por Alexandre Padilha com o “estado maior” do assédio, do qual faz parte, entre outros, o senador Renan Calheiros.

Você já sabia…
O jornalista Amaury Ribeiro Jr confirmou à Polícia Federal o que esta coluna revelou em 3 de setembro: a violação do sigilo fiscal de tucanos ilustres foi produto da guerra entre Aécio Neves e José Serra pela candidatura do PSDB ao Planalto. Ele disse que passou a investigar a vida fiscal de tucanos após ser informado que o deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, produzia um dossiê contra Aécio.

Jogo bruto
Quando quebrado o sigilo fiscal de tucanos (setembro de 2009), estava no auge a guerra entre Serra e Aécio pela candidatura presidencial.

Custou caro
Amaury Ribeiro Jr., que pretendia escrever reportagens e publicar um livro sobre o tema, pagou R$ 12 mil pelas informações sigilosas.

Baixo nível
Após sua verborragia de palanque, jactando-se inclusive de “tirar o povo da merda”, Lula reclamou ontem do “baixo nível” da campanha…

Marcha fascista
Deputados estaduais do Ceará aprovaram proposta do PT criando um “conselho” estadual, de inspiração fascista, para intimar e controlar a imprensa. É uma vingança pelas denúncias de mordomias, corrupção e abuso de poder contra o governador Cid Gomes (PSB) e aliados.

Tudo opaco
A Transparência Brasil, de Claudio Weber Abramo, mantém silêncio constrangedor sobre o fato de o Superior Tribunal Militar negar à Folha de S. Paulo acesso ao processo de Dilma Rousseff, que é público.

Movimento
O que resta de oposição no Senado se articula para barrar a eventual candidatura de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência da Casa. Como esta coluna revelou ontem, José Sarney não quer a reeleição.

Novo inquilino
O senador eleito Ciro Nogueira (PP-PI) queria o gabinete do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que derrotou nas eleições, mas pegou mal e ele recuou. Vai ocupar agora o gabinete de Sérgio Guerra (PSDB-PE).

Homem-bomba
Sem embaixador em Brasília há anos, o Iraque destacou para o cargo Baker Fattah Hussein, um químico que atuou como “guerrilheiro da causa curda”, como ele próprio se define.

Nova Serra Pelada
Começa a operar em meados de 2012 a Nova Serra Pelada, parceria inédita da mineradora Colossus com uma cooperativa de garimpeiros, após a identificação de 50 toneladas de ouro, platina e paládio em área próxima ao garimpo no Pará, desativado nos anos 1990.

Nova briga
Após sua derrota em Alagoas, na disputa por uma vaga no Senado, Heloisa Helena agora resolveu brigar com o próprio partido, o PSOL, afastando-se de sua presidência. Agora, só falta brigar com ela mesma.

Balanço
Acaba nesta quinta, em São Paulo, o IX Encontro Nacional da Inovação Tecnológica, promovido pelo Protec, para avaliação de resultados dos programas nacionais de apoio oferecidos pelo Senai, Sesi e Sebrae.

Pensando bem…
…ninguém derruba o bispo no xadrez eleitoral.

PODER SEM PUDOR

Previsão de analista
Definido que haveria segundo turno para a prefeitura do Recife, em 2000, entre Roberto Magalhães (PFL) e João Paulo (PT), a Rádio Jornal promoveu um debate sobre a influência das pesquisas no voto dos eleitores. Terminada a conversa, o radialista Geraldo Freire chamou no canto do estúdio o então deputado João Braga (PV-PE), especialista em pesquisas, e faz a pergunta:
– Braga, aqui para nós, tu achas que João Paulo tem chances?
– Geraldo, vai ser uma meeeeerda, mas João Paulo é o prefeito do Recife.
João Paulo venceu e depois se reelegeria no primeiro turno.

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