O eco-desenvolvimento solidário e durável. As chances de integrar um projeto de sociedade

Livro6O novo congresso dar ao PT junto com a base aliada esquerda, centro-esquerda e alguns partidos de centro-direita, uma oportunidade excelente  de continuar o projeto de um Brasil para todos. O governo de  Dilma contará com uma base de apoio em torno de 60%. Diante deste constato, a vitória da Dilma no segundo turno, abre também uma perspectiva de construção de um projeto societal, baseado numa concepção do eco-desenvolvimento solidário e durável. As condições estão reunidas bastará vontade política. Além disso, o Governo de Dilma contará com uma enorme sustentação popular tão útil ao revigoramento da democracia, os grupos socialmente organizados terão todo espaço para exercer a pressão junto aos deputados e senadores que eles elegeram para por fim ao “fisiocratismo”. O controle social é fundamental no exercício da cidadania política.

Além da continuidade dos programas de inclusão social, e do PAC, torna-se urgente a construção de um novo modo de vida que vise a humanizar a vida nas pequenas, médias, e grandes cidades brasileiras. A questão ecológica não se resume somente a ecossistemas rurais, nem somente à preservação da floresta amazônica. Vejam o que escrevi nas 13 sugestões para os candidatos (ver no Google). Hoje a conexão do espaço urbano e rural obriga aos planejadores a ter uma visão mais sistêmica com relação à cidade e ao campo.

A “favelização” das pequenas e médias cidades brasileiras foi o resultado da falta de uma política global. Isto revela a fragmentação da organização territorial.

Os brasileiros necessitam de uma vida urbana mais sana. O Governo Federal, os governos estaduais e municipais, poderá definir com as associações de bairros, ONGs, movimentos sociais, uma ampla mobilização da sociedade brasileira para abordar a questão de um projeto societal que concerne a melhoria de condições de vida no espaço urbano. A questão dos transportes públicos na reorganização da malha urbana é primordial. Pergunto se vale a pena se estressar no volante de seu carro e perder seu tempo precioso ao sair do trabalho?  O incentivo dado à compra de carros deixou de lado a política de transportes coletivos. Hoje em qualquer cidade o trânsito virou loucura urbana, a poluição atinge todas as grandes, médias e pequenas cidades. Por que não investir em bondes elétricos, tramways, metros?  Os novos eleitos, a nossa futura presidenta juntamente com os prefeitos e a sociedade civil pode discutir os projetos que visem humanizar nossas cidades.

Sabe-se que os programas de inclusão social, mesmo que eles sejam combatidos por alguns setores da elite brasileira, eles contri-buem na luta contra a violência e delinqüência juvenil. Todavia, esses programas devem ter o eixo destinado às campanhas de educação à cidadania e de educação ambiental. 
Como frear a “favelização” das pequenas e médias cidades brasileiras e melhorar a organização territorial em um país federativo? Esse desafio exige um esforço conjunto de co-responsabilidade diante da degradação do meio ambiente urbano. Pode-se já começar com programas já existentes.

Que tal escolher algumas áreas prioritárias para implantar os <<Eco-bairros>>?  

 Um eco-bairro não é somente construir as casas dentro de normas ecológicas. Trata-se de uma reorganização territorial do espaço “vida”, com regras de convivência pacífica, fraterna em harmonia com a natureza. O Eco-bairro, não vai sacrificar o modo de vida moderno e urbano, o eco-bairro é simplesmente uma tentativa de reconciliação do ser humano com a natureza e consigo mesmo. Trata-se de um espaço urbano de eco-desenvolvimento solidário, onde cada pessoa pode receber uma educação am-biental e zelar por esse espaço de conivência solidária. Um local também para exercitar sua cidadania, exigindo direitos, cumprindo com as obrigações face ao Estado. Além de se comprometer com a preservação do meio ambiente para com as gerações futuras.

Um espaço urbano, onde se possa viver, desenvolver laços de solidariedade com a vizinhança; desenvolver uma economia solidária, restaurar e proteger a biodiversidade; ter jardins, hortas coletivas, pomares; um espaço onde se possa ter área de lazer com atividades lúdicas, para que jovens e adultos possam se educar à preservação do meio ambiente e do bem publico; ter um ginásio de esportes; ter pistas para bicicletas; ter calçadas para que os velhinhos e crianças possam caminhar sem perigo; ter escolas publicas de qualidade com professores capacitados em educação ambiental e cidadania para crianças e adolescentes; ter Centros de Capacitação profissional; ter dispensário de saúde publica com médicos, enfermeiras e farmacêuticos; ter um bom aproveitamento da gestão de fontes de água, e, poder reciclar água de chuvas para o uso doméstico; um sistema de esgotos e um bom aproveitamento de águas usadas; diminuindo assim, toda forma de poluição, e proliferação do mosquito responsável pelo dengue e paludismo; diminuindo também a poluição sonora com regras de respeito à boa vizinhança; ter acesso ao meio de transporte limpo, sem poluição e de uso coletivo.

Um espaço urbano que se possa consumir sua própria energia; que todos participem para diminuir o lixo fazendo tri seletivo. Aprendendo a fazer uso dos três R: Redução, Reutilização e Reciclagem; Todos esses projetos alternativos de eco-desenvolvimento urbano podem gerar emprego e renda, principalmente para famílias mais carentes que irão residir nos eco-bairro.

 E para continuar nosso projeto de sociedade baseado na concepção do eco-desenvolvimento solidário, esta inovação na reorganização espacial urbana pode ter em cada capital brasileira uma área de experiência piloto. Vamos fazer uma revolução urbana tranqüila, a partir de ações concretas para mostrar que existem soluções para tornar uma vida na cidade mais sana e mais agradável. O Governo de Dilma pode lançar um apelo para doações de recursos das empresas multinacionais implantadas no Brasil, e, para grandes empresas nacionais, além das igrejas, dos clubes de futebol, da loteria esportiva. Esses recursos se somariam ao financiamento nacional.

Certamente este esforço nacional de solidariedade com os pobres e classe média de baixa renda, pode mostrar o bom caminho para as grandes construtoras habitacionais, inovarem no habitar urbano. Todos poderão contribuir para melhorar a qualidade de vida de nossas cidades e para a diminuição das substancias nocivas para a saúde humana e do planeta. As grandes aglomerações urbanas transmitem taxas elevadas de dióxido de carbono (CO2) e Metano (CO4). Este último, é o gás produzido pela decomposição de lixo na maioria das vezes, a céu aberto e aterros. Infelizmente no Brasil apesar de alguns esforços as formas de poluição urbana são múltiplas, gerando substâncias nocivas para a saúde de milhões de brasileiros além de destruir a camada de ozônio da atmosfera.

Ajudem o Brasil a construir uma nova etapa de governabilidade sustentável, assim, o PAC que enaltece o crescimento econômico, será transformado em Plano de Desenvolvimento Territorial Integrado e Solidário-PDTIS. Somente esta visão sistêmica pode garantir a sustentabilidade ecológica, social, cultural, política e econômica, sendo assim, esse modo de agir, vai promove a justa partilha dos frutos do crescimento econômico, o direito a um meio-ambiente protegido.

Sem sonhos, a realidade perde o sabor do desafio!

* Marilza de Melo Feuchor é militante por um eco-desenvolvimento territorial solidário e Drª  em Economia.

 

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