Binho participa da abertura do 9º Festival Yawa

A nona edição do Festival Yawa reúne representantes de pelo menos cinco etnias do Acre e Mato Grosso, além de cerca de 700 yawanawás no evento que neste ano celebra o reencontro dos povos na cerimônia Nukuyra Nuruná, em que os índios relembram como viviam seus antepassados. O Festival Yawa é realizado na Aldeia Nova Esperança, no Alto Rio Gregório, em Tarauacá.
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A abertura da festa que vai até o dia 30 de outubro contou com a presença do governador Binho Marques, recepcionado na aldeia Mutum, localizada a meia hora de canoa de Nova Esperança, pelos líderes Nani e Mariazinha Yawanawá. Acompanharam o governador o presidente da Assembléia Legislativa do Acre, Edvaldo Magalhães, o líder do governo na Aleac, Moisés Diniz, e o assessor especial dos Povos Indígenas, Francisco Pianko.

Em Mutum, os yawanawás mantêm um grande bosque medicinal – o Nii Pey – com mais de 5.000 espécies da flora amazônica, e se apresenta como portal ao festival que atrai a atenção de turistas de vários países. O primeiro Festival Yawa foi realizado em junho de 2002 e neste ano, apenas no primeiro dia, recebeu visitantes dos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Chile e Austrália. O cacique Vernon Foster Lakota, do Arizona, representou os índios norte-americanos na festa.

O Plano de Valorização dos Povos Indígenas consolida o Plano de Gestão Territorial Indígena (PGTI) no âmbito do Programa de Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável do Acre (ProAcre) com investimentos de  R$ 2.806.990,00 – e preparam a política indigenista acreana para seus marcos legais que serão agora debatidos pelos deputados na Aleac. O PGTI se constitui em um mecanismo pelo qual a população indígena define estratégias, prioridades e demandas de suas comunidades. Nesse contexto, o Festival Yawa se traduz na casa onde os povos se encontram e se alegram com essas conquistas: “a casa da gente se sente como a união de todos os povos indígenas deste Estado”, disse o cacique Biraci Brasil, líder Yawa em agradecimento ao compromisso do governo com as populações tradicionais.

O Governo tem atuado na valorização dos povos indígenas em um diálogo de constante aprendizado. Pelo menos na metade das mais de 200 aldeias de quinze povos indígenas, a língua original ainda é mantida. Em 1999, 915 índios estavam matriculados, hoje são mais de seis mil pessoas na educação bilíngue multicultural. Estão sendo construídas mais 22 escolas, sendo que três são de ensino médio. O governo investe ainda na formação dos professores, o que permite a difusão da cultura local em todos os níveis do ensino. “Estamos há doze anos no governo, mas nosso governo começou muito antes. Foram os povos indígenas e os seringueiros que disseram não ao projeto que avançava para transformar o Acre em um imenso pasto”, disse o governador logo após assistir  ao ritual do Kushana, dedicado ao fim das possíveis  mágoas de um índio ao outro.

Ao som do Purintí, a buzina que avisa ao mundo espiritual que na terra Yawá “está acontecendo alguma coisa”, os índios refazem a trajetória de seus antepassados e mantêm acesa a chama de uma cultura milenar que ensina ao mundo como é possível viver em harmonia com a Natureza. “Nós aprendemos com vocês o que estamos desenvolvendo no governo”. O cacique Biraci Brasil presentou o governador Binho Marques com uma lança que simboliza a existência do povo Yawa. (Agência Acre)

Reencontro de origens e utopias
Os deputados Edvaldo Magalhães e Moisés Diniz agradeceram o apoio dos povos indígenas ao projeto de empoderamento comunitário implementado pelo governador Binho Marques e ressaltaram a relevância do Festival Yawa: “é o reencontro das nossas origens e das nossas utopias”, resumiu Moisés Diniz.

“O Acre aprende mais com este reencontro”, completou Edvaldo Magalhães. O assessor dos Povos Indígenas, Francisco Pianko, relatou os avanços resultantes da nova política indigenista, principalmente no aspecto da emancipação dos povos. “Hoje, com ou sem governo, esses encontros vão continuar. E aqui está o exemplo: os Yawa fizeram o primeiro festival, fizeram o segundo e chegaram ao novo agora”, disse.

Programa de mitigação aos impactos das obras da BR-364
A política indígena do Acre se traduz no fortalecimento das comunidades e sua conseqüente autonomia e emancipação. Como exemplo de resultado prático do que vem sendo desenvolvido recentemente os yawanawas assinaram contrato de comercialização de 10 toneladas de farinha com uma empresa de Rio Branco. Além da produção de alimentos, os yawanawas trabalham com o de aproveitamento de madeira. A partir de ação do gabinete do senador – e agora governador eleito do Acre – Tião Viana, a comunidade conseguiu recursos para montagem de uma marcenaria.

Hoje, o projeto é coordenado pela Secretaria de Florestas, e inclui a qualificação dos indígenas e consultoria especializada para garantir a qualidade dos produtos. Na reserva vivem cerca de 700 índios Yawanawas e katuquinas, que estão na relação de etnias que recebem recursos e ações do programa de mitigação dos impactos das obras na BR-364. Por esse programa, estão sendo investidos mais de R$ 1,9 milhão que beneficia cerca de seis mil moradores de várias terras indígenas e aldeias sob influência da rodovia.

Só na aldeia Nova Esperança, onde ocorre o Festival Yawa, há 430 yawanawá. Existem também as aldeias Mutum, Matrinchã, Amparo, Tibúrcio, Escondido e Sete Estrelas. (Agência Acre)

Governo mantém a consultoria para área de artesanato
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer (Setul) contratou consultores em artesanato que estão na aldeia Nova Esperança para qualificar a comunidade na produção de biojóias a partir de sementes de espécies amazônicas, como a paxiúba e a jarina, além de madeiras identificadas para esse fim pelos próprios índios. Cezarina Pereira de França e Ademar da Silva Filgueira permanecem na aldeia ministrando o curso que tem elevado a qualidade do artesanato produzido pelos Yawa.

O QUE ELES DISSERAM

“Este evento é o reconhecimento da cultura e da espiritualidade. Cada um que vem aqui traz e leva conhecimento”.
Joel Poyanawa, líder poyanawa

“Estou muito feliz em estar aqui, celebrando esta festa que tem a presença do governador Binho Marques”.
Flavio Kontanawa, líder contanawa

“Estamos todos juntos neste propósito, de resgatar a cultura dos povos indígenas”.
Francisco Shawandawa, líder shawandawa

“É muito importante que o governador esteja aqui sem finalidade política. Sinto muita felicidade por isso”.
Vernon Foster Lakota, pajé lakota (EUA)

 

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