Cuidadores de idosos acusam administração do Lar dos Vicentinos de ‘perseguição’

O casal de cuidadores de idosos Ivanilde Duarte e Dhyems Gomes da Silva denunciou ontem (4) que está sendo vítima de perseguição por parte da  atual direção do Lar dos Vicentinos – sociedade destinada ao amparo de pessoas da terceira idade.
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Eles afirmam estar sendo desligados de suas funções arbitrariamente, em virtude de terem denunciado ao Ministério Público Estadual (MPE) maus-tratos presenciados durante os plantões noturnos.   Situação que, segundo eles, pode ser conferida a partir da leitura do livro de ocorrências que é mantido pela instituição.

Entre as situações relatadas ao MPE está o caso do idoso José Augusto de Souza, 60 anos, paciente cardíaco que, segundo o casal, foi expulso do local por ordem da direção. “O motivo do nosso afastamento é porque fomos denunciar ao promotor essa si-tuação. O senhor José Augusto foi jogado na rodoviária sem qualquer acompanhamento e, desde então, está desaparecido”, relata Ivanilde.
Segundo ela, o idoso passou recentemente por uma cirurgia do coração e necessita de cuidados especiais. “Se acontecer alguma coisa com o senhor Augusto de quem será a responsabilidade?”, questiona Ivanilde.

O casal também afirma que as refeições servidas aos idosos são preparadas sem atentar para os padrões de higiene exigidos pela vigilância sanitária e que, nem sempre, há luvas disponíveis para as equipes de plantão.

Num dos seus plantões, Ivanilde afirma que “encontrei uns pedaços de pão de dois dias para servir para os idosos”.  A cuidadora de idoso vai mais além nas suas acusações. Ela afirma ter perdido um filho em virtude da opressão decorrente da perseguição da direção.

Dhyems também faz relatos chocantes. Como um estupro que teria ocorrido dentro da instituição, tendo como vítima uma idosa e agressor um outro idoso, que é dependente químico. O caso, apesar de relatado pelo cuidador, não teria tido a devida apuração por parte da direção, nem sido feito registro de Boletim de Ocorrência.

Dhyems é funcionário da casa há quatro anos. Ivanilde tem pouco mais de um ano de trabalhos prestados. Os dois trabalham em horário noturno, com escala de 12 horas, com entrada às 18h e saída às 6h da manhã. Eles afirmam que todas as denúncias já foram relatadas ao MPE e que eles aguardam uma providência por parte da promotoria responsável. Prometem ainda buscar o socorro da Justiça do Trabalho.

“Casal está sendo demitido por desobedecer as ordens da casa”, diz a administradora do Lar

A administradora do Lar dos Vicentinos, Gislene Chalub Leite, negou perseguição ao casal de cuidadores e informou que as demissões são por justa causa, por razão de desobediência às ordens da casa. “São pessoas inflexíveis e que não gostam de receber ordens. Aqui, o que vem em primeiro lugar é a necessidade do idoso”, assegura.

Gislene se declarou surpresa com a informação de que o casal havia procurado o MPE para relatar denúncias de maus-tratos, informação que assegurou ter recebido através desta GAZETA. Ela acredita que tais denúncias podem ser uma forma encontrada pelos cuidadores de esconder os reais motivos do desligamento.

Como falta grave cometida pelo casal, ela cita o não atendimento de uma solicitação de acompanhamento feita pela direção para um idoso que se encontrava hospitalizado em unidade da rede pública. O paciente, que era interno do Lar dos Vicentinos, estava gravemente doente e por não ter família dependia dos cuidadores da instituição.

De acordo com a administradora, a solicitação de acompanhamento foi feita na noite do plantão do casal, que por insubordinação não o teria atendido. Assim, o velhinho acabou falecendo sozinho.
Com relação ao caso do senhor José Augusto, a administradora esclarece que ele deixou a instituição por livre e espontânea vontade após se envolver em ocorrências que, por questões ética, preferiu não relatar. A polícia, no caso, foi acionada apenas para garantir que ele embarcasse com segurança no Terminal Rodoviá-rio de Rio Branco.

A administradora informa também que o paciente recebeu da direção a medicação necessária para um mês, todo o seu prontuário médico e os encaminhamentos para os exames que ainda necessita se submeter. “Temos provas para quem quiser ver”, diz.

Segundo Gislene, há algum tempo o idoso estava tendo problemas numa área de terra na Vila Califórnia, mas ainda não tinha resolvido o problema em decorrência dos problemas de saúde que apresentava. “Ele chegou a viajar duas vezes pelo TFD, enquanto esteve conosco para tratar da saúde”, afirma.

Todos os procedimentos em relação ao idoso, segundo ela, estão registrados e estão à disposição da imprensa e do próprio Ministério Público para averiguação. A administração também conta com a assessoria de um advogado e assegura que todas as decisões estão respaldadas pela lei, inclusive a demissão do casal. (D.A.)

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