Negociações nacionais falham e greve já ganha proporções maiores do que em 2009

Maior do que nunca, a greve nacional dos bancários completou ontem (6) oito dias e teve muita agitação. Após as negociações fracassadas com a Fenaban na tarde de terça (5), a insatisfação da categoria fez o movimento atingir proporções maiores do que a greve do ano passado. Ao todo, a paralisação já alcançava 7.437 agências na terça, equivalentes a 37,5% do total nacional (19.830) e 215 a mais do que a greve de 2009. Com as adesões de ontem, a previsão é de que o total de agências paradas seja perto de 7.550 (38,07%).
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No Acre, o movimento não fica nada atrás. Ao contrário! Das 39 agências no Estado, o Sindicato dos Bancários local (Seeb/AC) estima que 24 agências (61,54%, porcentagem maior do que a nacional) já tenham se integrado à corrente. Destas, 11 são da Capital e 13 são dos municípios de Cruzeiro do Sul, Xapuri, Feijó, Epitaciolândia, Brasiléia e do Quinari. Dos 720 trabalhadores, os mesmos 400 (60%) seguem de braços cruzados.

De acordo com a presidenta do Seeb/AC, Elmira Farias, a adesão cada vez maior das agências por todo país comprova a força real da greve. Para ela, tal fortalecimento é o resultado da valorização que os bancos dão para os lucros, em detrimento das relações com os seus funcioná-rios e usuários. Vale ressaltar que a greve é fruto da negativa da Fenaban ao pedido de 11% de reajuste salarial, alta para 1 salário mínimo no ticket-alimentação e cesta básica e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 3 salários.

“Os bancários já estão mais do que saturados da ganância e das metas abusivas impostas pelos bancos. Por isso, a categoria não cessará a greve até que consiga pelo menos obter os avanços na campanha salarial e em pontos relacionados à saúde. Volto a repetir que lamentamos os transtornos gerados à população, mas a greve deve continuar por tempo indeterminado. Ela cada vez mais vai se espalhar pelas agências do Estado”, ressaltou.

Para tentar conter o movimento, a Fenaban se reúne ainda hoje com o comando geral de greve. Na classe, há esperanças de que a federação de banqueiros melhore suas propostas.

‘Confusão’ Policial – Na manhã de ontem, por volta das 9h30, na frente das agências do BB e do Bradesco do Centro, os bancários foram passar orientações sobre a greve para a população, como já faziam desde semana passada, quando foram surpreendidos por uma viatura do Bope da Polícia Militar. Cinco ‘homens de preto’ e um capitão PM desceram do carro e conversaram com os servidores, pedindo para que eles se retirassem da frente da porta do Banco do Brasil pois estavam impedindo a passagem das pessoas.

De acordo com Elmira Farias, o episódio foi algo normal e pacífico, já que os policiais se dirigiram aos bancários com muita educação e respeito. “Estávamos lá na porta e daí o superintendente do BB chamou a polícia e pediu que saíssemos do lugar. Nós, então, vamos ficar aqui na frente do banco reivindicando, longe da passagem da porta”, detalha ela. Apesar da calma da presidenta, muitos servidores não gostaram nada do ocorrido e da atitude do superintendente!

 

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